Sem-terra entregam cartas em entidades de Salvador

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Publicado quinta-feira, 18 de setembro de 2003 as 02:54, por: cdb

Os três mil sem-terra acampados em Salvador desde o última dia 7 de setembro estiveram, na última quarta-feira pela manhã, nas portas das sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Tribunal Federal de Justiça da Bahia e da Assembléia LegisLativa.
 
O objetivo da caminhada era entregar uma carta, em cada uma das entidades, pedindo apoio para a libertação dos sem-terra presos em vários pontos do país, especialmente os líderes José Rainha Júnior, Felinto Procópio dos Santos (Mineirinho) e da esposa de Rainha, Deolinda Alves de Souza. No tribunal, solicitaram também maior agilidade nos processos de desapropriação de áreas.

O decreto de prisão de mais de 35 sem-terra só nas duas últimas semanas, em diversos estados brasileiros, também foi citado pelos sem-terra como forma de perseguição política.

– Queremos denunciar a criminalização do nosso movimento, que é sério e tem 20 anos de história – afirmou a coordenadora estadual Dejacira Oliveira.
 
– Precisamos mostrar que o MST não é um caso de polícia. Parte da sociedade brasileira já compreendeu isso – disse. Na Bahia, não há decretos de prisão até o momento.

A recepção nas entidades foi calorosa. No Incra, o ouvidor Geraldo Portela e o chefe de gabinete Raydelson dos Santos discursaram após a leitura da carta pelos líderes estaduais do MST.
 
– Somos solidários com vocês, porque temos um compromisso com a reforma agrária – disse Raydelson.

Geraldo Portela ressaltou a atual proximidade dos funcionários do instituto com os sem-terra, em uma ação conjunta para propiciar a reforma.

Já o presidente do Tribunal Federal de Justiça, Evandro Reimão dos Reis, acolheu o pedido de agilidade nos processos de desapropriação com um pedido de desculpas.
 
Segundo ele, o número de processos em tramitação é muito grande, o que dificulta a agilidade. Uma comissão de sem-terra foi convidada a conversar diretamente com o juiz da 7ª Vara Federal sobre os processos, à tarde.

Uma comissão de deputados recebeu o MST na Assembléia Legislativa. Da AL, os trabalhadores rurais voltaram para o Museu de Ciência e Tecnologia (MCT), onde estão acampados desde o dia 7 de setembro. Lá, eles aguardaram o resultado da reunião de oito líderes estaduais com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, em Brasília.

A caminhada de quase 5h, sob um clima instável de sol e chuva e uma temperatura à beira dos 30ºC, cansou alguns integrantes, mas todos cumpriram o trajeto. Nos pés, havia sandálias havaianas ou nada – ou seja, o asfalto quente direto sob as solas.
 
 Bandeiras do movimento e do Brasil acompanharam a caminhada, junto com músicas de capoeira, palavras de ordem e hinos do movimento.