Sem programação, Novo Museu de Niemeyer está fechado há 3 meses

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Publicado segunda-feira, 9 de junho de 2003 as 14:34, por: cdb

Conhecido informalmente como “grande olho”, o Novo Museu de Curitiba foi inaugurado com estardalhaço em novembro do ano passado. Após o frenesi da primeira série de exposições, acabou fechando suas portas ao público – e permanece assim já faz três meses.

O museu, que se chama agora Oscar Niemeyer, foi aberto no mandato do governador Jaime Lerner (PFL) após cinco meses de obras e custo estimado em 14 milhões de dólares aos cofres do Estado.

Na época da inauguração, uma grande festa foi organizada para as estréias de sete exposições simultâneas, um evento que contou com a presença de inúmeros críticos e artistas importantes do país, além de Niemeyer, que assinou o projeto arquitetônico, e do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Com a mudança de governo, agora nas mãos de Roberto Requião (PMDB), o museu deixou sua administração antiga e passou para a direção da primeira-dama, Maristela Requião. Após o final das exposições, em março, a instituição fechou o prédio de 33 mil metros quadrados ao público, alegando que ainda faltavam obras a serem concluídas.

Nas instalações do museu, um representante do escritório de Oscar Niemeyer trabalha em tempo integral para finalizar o projeto e colocá-lo em funcionamento novamente, apesar da instituição não ter ainda uma programação para o ano.

– Falta polir o piso, que não tinha dado tempo, trocar algumas fechaduras, instalar uns banheiros, calibrar algumas máquinas, fora toda a equipe que precisa ser contratada – disse o arquiteto Oswaldo Cintra, responsável pelo projeto e representante de Niemeyer.

– O governo tinha pressa em inaugurar porque era obra dele. Ninguém termina obra do outro. É um problema político – completou Cintra.

Toda a equipe que trabalhou nos primeiros meses – limpeza, monitores e seguranças -, também foi contratada apenas até março deste ano.

Em maio, a nova administração informou por meio do site do governo que o orçamento de 4,3 milhões de reais destinado para concluir as obras do museu teria de ser drasticamente reduzido, sem especificar em qual valor.

FUTURO INDEFINIDO

Enquanto o público fica sem poder visitar umas das mais recentes obras arquitetônicas brasileiras de peso, um governo empurra o problema para a esfera de responsabilidade do outro.

Lerner afirma, por meio de sua assessoria de imprensa, que o museu foi “sim inaugurado em plenas condições de funcionamento”.

Requião, através de uma denúncia feita no começo do ano, conseguiu que o Ministério Público iniciasse uma investigação para apurar possíveis irregularidades na instituição ocorridas na gestão anterior.

A atual dirigente Maristela Requião, procurada pela reportagem, não especificou de que forma pretende reabrir o museu nos primeiros dias de julho, como tem prometido para a imprensa.

Ela chegou a afirmar que levaria a Curitiba a mostra “Guerreiros de Xian e os Tesouros da Cidade Proibida”, um grande sucesso de público em exibição na Oca, em São Paulo, que terminou no último domingo.

No entanto, Emílio Kalil, diretor de projetos da BrasilConnects, empresa que trouxe a exposição ao Brasil, afirmou que nada havia sido fechado e que estava aguardando uma resposta do Paraná.

Enquanto o público espera, Maristela sonha levar a Curitiba uma exposição sobre a cidade italiana Pompéia e outras sobre Rembrandt, Brecheret e Cícero Dias. Algo que pretende fazer, diz ela, com a ajuda financeira de empresas paranaenses.