Segurança: empresa leva ao Rio cerca inteligente

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 17:02, por: cdb

A preocupação crescente com a violência está levando o carioca a investir cada vez mais em equipamentos de segurança. No Rio, a última invenção dos que exploram esse mercado é a chamada cerca inteligente. Uma barreira de arame capaz de afastar invasores e proteger propriedades sem a construção de muralhas ou a multiplicação de seguranças armados. Isso porque tem sensores programados por um software para distinguir falsos de verdadeiros alarmes, além de apresentar diferentes mecanismos de energização.

A cerca é uma criação da empresa neozelandesa Speed Rite que tem décadas de atuação no mercado mundial de segurança. Disponível em São Paulo, onde a empresa cercou o residencial Alphaville e uma unidade da Coca-Cola, e Estados da Região Sul há três anos, o equipamento começou a ser comercializado há pouco tempo no Rio.

– Há um mercado muito grande no Rio. O carioca investe cada vez mais em segurança por causa da violência. Houve um crescimento da procura, principalmente no segmento residencial. Não é só patrimônio, as pessoas querem preservar sua integridade física – disse Marcelo Siqueira, representante da empresa no Rio, que acaba de ser contratado para cercar a área de 500 metros quadrados de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

As cercas são construídas com fios de aço puro galvanizado, com diâmetro cerca de 80% maior do que os das cercas energizadas comuns, feitas de arames de aço-inox. Podem ser instaladas no topo de muros já existentes, com 6 fios e altura mínima de um metro, ou substituí-los com cercas de até 30 fios. A energização é definida pelo dono, que tem a opção de mantê-la ativa sem esse recurso. Uma central eletrônica registra cada toque e indica em monitores o local exato de uma tentativa de invasão.

– A cerca dá choques leves, que não representam risco para a integridade física do invasor, mas vai afastá-lo. O cliente pode ativar o choque ou optar apenas pela monitoração. Se uma pessoa encostar num fio, não sentirá o choque, mas se encostar na segunda acontece a descarga – explicou Leonardo Barreto, técnico da empresa.

Mas a característica mais inovadora do equipamento é mesmo a capacidade de diferenciar um intruso casual, que pode ser um bichinho de estimação, um galho de árvore ou uma pessoa da casa, do real invasor.

– Mais do que observar o retorno das descargas elétricas, que detectam se os fios foram cortados ou aterrados, a central registra a impedância do arame. Um gato causa uma resistência diferente de uma pessoa de 80 quilos. Um galho de árvore indicará apenas fuga de energia, por exemplo. Já o toque não intencional dura menos de três segundos. São vários níveis de sensibilidade da programação da central para ensinar a cerca a acionar o alarme.

Uma cerca de 100 metros no muro de uma casa custa, em média, R$ 10 mil. No entanto, segundo Siqueira, o investimento permite uma redução de 40 a 50% da vigilância armada em grandes propriedades e pode ser integrada a sistemas acústicos e de circuito de TV. O gasto com energia também é considerado baixo.

A comerciante Márcia Paes decidiu proteger sua casa, no bairro de Guaratiba, zona oeste, depois de tê-la invadida por assaltantes, mas não queria sua verde e ampla propriedade de 16 mil metros quadrados cercada por altos muros. Ela foi uma das primeiras a aderir à cerca inteligente, que foi pintada de verde e bem integrada às plantas do jardim.

– Um muro com caco de vidro em cima não é nada estético. A cerca não agride e não dá aquela sensação de presídio. Ela não é barata, mas preferi investir para ter tranqüilidade. Antigamente eu nem fechava o portão. Hoje as coisas estão diferentes. Mesmo vivendo numa área considerada tranqüila, estamos expostos à violência – justifica.