Segundo Rodrigues, MST deixa os fazendeiros temerosos

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Publicado quarta-feira, 7 de abril de 2004 as 03:54, por: cdb

Em meio ao aumento das ocupações de fazendas por integrantes do MST, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, esquentou a discussão dizendo na última terça-feira que os agricultores estão preocupados com o direito de propriedade no país e que a sociedade precisa ficar ‘ao lado do agronegócio’.

– A garantia do direito de propriedade preocupa o agricultor profissional do Brasil inteiro – disse Rodrigues, após seminário sobre as perspectivas do setor para 2004 e 2005.

– Não podemos aceitar passivamente que os agricultores sejam infernizados. A sociedade precisa estar atenta e ao lado do agronegócio, que é a base da sustentação da economia brasileira – falou.

– Temos repetido que o Brasil precisa fazer a reforma agrária. Estamos de acordo, mas dentro do império da lei – acrescentou Rodrigues em São Paulo.

– Não há maior pecado do que a omissão – disse.

A expressão ‘infernizados’ foi uma clara referência à declaração do coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, que disse no último mês que o movimento iria ‘infernizar’ o governo em abril. Na última semana, Stédile procurou aliviar a declaração:

– De fato foi uma palavra infeliz, o sentido era pressionar.

Apenas nos primeiros cinco dias de abril, segundo dados do próprio MST, ocorreram 14 novas ocupações, envolvendo cerca de 5,3 mil famílias. Como base de comparação, entre janeiro e fevereiro, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, foram 16 invasões.

Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às reclamações do MST dizendo que ‘a reforma agrária vai ser feita por uma questão de justiça social (…) mas ela não vai ser feita no grito’.

A ‘jornada de luta’, que aumentou o número de invasões nos últimos dias, deve se estender até 17 de abril, aniversário do massacre de trabalhadores rurais sem terra ocorrido em 1996, em Eldorado de Carajás, no Pará.

No fim de março, em meio ao recrudescimento das ocupações, o governo decidiu incluir no Orçamento mais R$ 1,7 bilhão para garantir o cumprimento da meta de assentar 115 mil famílias este ano.