Seca: 120 cidades decretam emergência no Nordeste

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 15 de outubro de 2003 as 13:25, por: cdb

A estiagem que atinge várias regiões do Nordeste fez com que 120 municípios decretassem estado de emergência. A seca atinge cidades de Pernambuco, Ceará e do Piauí, o estado mais afetado, com 75 municípios com problemas de abastecimento de água.

Uma equipe da Comissão de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe) está visitando as cidades do Interior de Pernambuco para avaliar os problemas causados pela seca no Estado. A Codecipe já decretou estado de emergência em 12 municípios pernambucanos.

As cidades mais atingidas são Araripina, Betânia, Buíque, Carnaíba da Penha, Custódia, Granito, Iati, Lagoa Grande, Oricuri, Riacho das Almas, Santa Cruz e Santa Maria da Boa Vista. Outros 46 municípios também podem ter decretados estado de emergência.

Já no Ceará, o coordenador da Defesa Civil do Estado, João Alfredo Pinheiro, disse que o governo estadual já reconheceu o estado de emergência em 33 dos 184 municípios cearenses.

Segundo Pinheiro, falta agora homologar a emergência para que esses municípios comecem a receber os benefícios dos ministérios da Segurança Alimentar e da Integração Nacional. No município de Campos Sales, a 578 quilômetros de Fortaleza, o Exército já começou a distribuir água através de carros-pipa.

Os prefeitos piauienses, principalmente dos municípios do semi-árido, estão reclamando que a situação financeira foi agravada em decorrência da seca. Já existem mais de 75 municípios que decretaram estado de emergência, dos quais 55 já foram reconhecidos pelo governo do Estado.

Eles lamentam que têm tido sucessivas perdas de receitas e constantes aumentos de despesas. “A situação está calamitosa e não temos mais o que fazer. A não ser protestar e tentar negociar as dívidas”, comentou o prefeito de Floriano, José Leão.

Alguns municípios adotaram medidas como expediente único, redução do consumo de energia, telefone e combustível. Algumas cidades reduziram um dia no funcionamento administrativo da prefeitura, para tentar equilibrar receita e despesa. “Nós temos que atrasar o pagamento de fornecedores e negociar os débitos para podermos manter a folha do funcionalismo em dia, e os serviços essenciais funcionando”, afirma Leão.

Para os prefeitos, a saída é muito jogo de cintura. “Nós temos que fazer o impossível. Uma coisa é certa, deixamos de atender e executar vários serviços que só beneficiariam a população. Vários setores ficam afetados. Não tem mais medicamentos, passagens e outros”, frisou o prefeito.