Se os EUA erram, o mundo inteiro sofre, diz Al Assad

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 16:32, por: cdb

O presidente sírio, Bachar Al Assad, deu uma entrevista ao jornal austríaco Der Standard falando sobre a guerra contra o Iraque, e nela afirma, entre outras coisas, que quando os EUA erram, o mundo inteiro sofre.

“Não é muito tranqüilizador que os EUA, como “única superpotência, tenha perdido o contato com o mundo. A maior superpotência militar não ajuda o mundo, mas começa uma guerra e esse é o problema, porque se um país pequeno comete um erro, sofrem seus vizinhos, mas se o erro é de uma superpotência, então sofre o mundo inteiro”, disse.

A grande oposição mundial à guerra contra o Iraque é, segundo o presidente sírio, uma “oportunidade histórica” que tem de ser aproveitada, pois agora há uma rejeição comum de muçulmanos e cristãos a essa operação, e isso tem efeitos positivos nas relações.

Para o presidente sírio, os motivos americanos para iniciar uma guerra contra o Iraque são claros, “eles disseram que queriam o petróleo e uma reorganização da região”. Quanto a esta última razão, Israel estaria exercendo um papel importante, “pois está muito interessado que o Iraque se desintegre em unidades étnicas e religiosas”.

Na opinião de Assad, todos os países da região são formados por diferentes grupos étnicos e religiosos, “todos menos Israel, por isso uma divisão do Iraque, atendendo a critérios étnicos, religiosos e nacionais, daria uma maior legitimidade social a Israel”.

No passado a Síria foi acusada pelos EUA de financiar e proteger grupos terroristas, e é, junto ao Líbano, o país árabe que mais veementemente se opôs à atual guerra contra o Iraque.

Assad também falou sobre a advertência feita à Síria pelo secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, que afirmou que qualquer tentativa do país em ajudar o Iraque seria considerada “um ato hostil”, além de ter acusado Damasco de vender material proibido para o Iraque.

“Os laços entre a Síria e os EUA estão infestados de contradições, a mais recente é apenas a última faceta”, afirmou o presidente, que recentemente adiou indefinidamente uma visita à Áustria, que deveria acontecer na próxima quarta-feira.

Tanto as autoridades sírias como as austríacas querem fixar uma nova data para a visita, que, segundo fontes da presidência austríaca, deve acontecer o mais rápido possível.