Schröder leva vantagem nas eleições

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 23 de setembro de 2002 as 00:05, por: cdb

Os primeiros resultados da eleição-geral na Alemanha, realizada neste domingo, indicam que a coalizão que apóia o primeiro-ministro Gerhard Schröder deve permanecer no poder.

No entanto, a vantagem da aliança formada pelos Partidos Social Democrata (SPD) e Verde sobre a coalizão de oposição do Partido Cristão Democrata (CDU), da União Social Cristã (CSU) e dos liberais do Partido Democrático Livre (FDP) deve ser bem menor do que a obtida nas últimas eleições gerais, em 1998.

Segundo analistas, a vitória de Schröder, se confirmada, poderá ser atribuída ao avanço do Partido Verde, que deve aumentar sua participação no parlamento alemão, o Bundestag, e se tornar a terceira maior força política no país.

O principal adversário do chanceler, Edmund Stoiber, comemorou o desempenho dos conservadores cristão-democratas, que devem se tornar a maior força isolada no parlamento. Ao mesmo tempo, porém, Stoiber pareceu reconhecer sua derrota, ao dizer que qualquer governo formado por Schröder não vai durar mais que um ano.

Liberais

Segundo o correspondente da BBC em Berlim, a derrota de Stoiber pode ser o resultado do mau desempenho nas urnas dos seus aliados liberais do FDP.

Segundo levantamento da rede de TV alemã ZDF, os dois partidos que apóiam Schröder, o Social Democrata e o Verde, devem assumir em conjunto o controle sobre 46,7% das cadeiras do parlamento alemão contra 45,9% dos conservadores do CDU-CSU e dos liberais.

Ainda de acordo com a projeção, os sociais-democratas e os verdes devem obter 300 cadeiras no Bundestag, contra 296 dos liberais e conservadores.

Caso a estimativa se confirme, a diferença entre os sociais-democratas e os cristãos-democratas no parlamento deve ser de 0,3% – a menor desde o final da Segunda Guerra Mundial.

As projeções indicam que o Partido do Socialismo Democrático (PDS), o antigo Partido Comunista, deve ganhar duas cadeiras.
Analistas acreditam que o resultado indica uma notável recuperação do partido do chanceler Schröder, que estava 5% atrás dos conservadores no início de agosto e parecia fadado ao fracasso.

As eleições foram marcadas muito mais por uma disputa de personalidades entre Schröder e Stoiber, do que pela discussão de diferentes propostas.

Esta foi a primeira eleição geral na Alemanha em que os dois principais candidatos participaram de um debate transmitido pela TV.

Stoiber usou durante a campanha a estratégia de atacar o desempenho do governo de Schröder na área econômica.

O atual premiê, porém, teria agradado o eleitorado com sua reação às enchentes que abalaram o país no mês passado, e com sua aberta oposição à ofensiva militar proposta pelos Estados Unidos contra o Iraque.