Sauditas negam espaço aéreo e bases para um ataque dos EUA ao Iraque

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Publicado domingo, 3 de novembro de 2002 as 22:39, por: cdb

O chanceler da Arábia Saudita, príncipe Saud al-Faisal, prometeu dar apoio aos Estados Unidos na luta contra o terrorismo da rede Al Qaeda, porém disse que seu país não cederá bases, nem espaço aéreo, para qualquer ação militar norte-americana contra o Iraque.

“Vamos cooperar com o Conselho de Segurança da ONU, mas participar do conflito ou permitir o uso de nosso território é algo muito diferente”, disse o príncipe, em entrevista à Christiane Amanpour da CNN, ao ser indagado sobre o uso das bases sauditas por forças norte-americanas.

A Arábia Saudita desempenhou um papel fundamental no apoio às forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos durante a Guerra do Golfo, em 1991.

Al-Faisal disse que a Arábia Sauidta poderá entender o “sentimento político” de uma eventual guerra contra o Iraque por seu aliado norte-americano, mas expressou a esperança de que um conflito armado seja evitado pelas Nações Unidas.

“Pensamos que é possível”, disse o príncipe. “O Iraque fez uma promessa muito clara e sem ambigüidades de que acatará as resoluções das Nações Unidas e, assim, penso que o caminho está aberto para isso”.

Ocupação também preocupa
Al-Faisal disse ainda que os sauditas também se preocupam muito com uma ocupação do Iraque pelos Estados Unidos.

“A História nos ensina que não se pode nunca fazer uma mudança permanente em um país com uma ocupação estrangeira”, disse.

“O Iraque não é o Japão, Saddam Hussein não é o imperador Hiroito e não sei se o general que haverá será um MacCarthur”, acrescentou o príncipe saudita.

O general Douglas MacArthur, comandante supremo das Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial, supervisionou o governo de ocupação no Japão de 1945 a 1951, sendo responsável pela reconstrução do país e pelas reformas de suas instituições políticas e sociais.

O príncipe saudita também se referiu aos efeitos dos ataques de 11 de setembro nas relações entre seu país e os Estado Unidos.

“A Arábia Saudita não se transformou da noite de amigo e aliado em fonte de todos os males no Oriente Médio porque nada que o país tenha feito”, afirmou.

“O que ocorreu foi o que (Osama) bin Laden planejou e seu plano diabólico foi incluir 15 sauditas em seu ataque aos Estados Unidos”.

“Ele sabia muito bem que dispunha de outros militantes para usar (nos ataques de 11 de setembro), mas escolheu os sauditas com um propósito deliberado … de expulsar os Estados Unidos daqui, de criar um abismo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita que não pudesse ser superado”, acrescentou, referindo-se aos terroristas que lançaram os aviões comerciais contra as torres do World Trade Center e o Pentágono.

Al-Faisal denunciou um relatório divulgado em Washington sobre Relações Exteriores acusando a Arábia Saudita de ter feito vista grossa com relação a pessoas e organizações que financiam grupos antinorte-americanos.

O príncipe afirmou que o relatório era “extenso em acusações e curto em provas”.