Sarney, Temer e líderes do PMDB conversam sobre disputa de cargos

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Publicado terça-feira, 4 de janeiro de 2011 as 05:05, por: cdb
Luiz Sérgio
O ministro Luiz Sérgio minimiza a disputa entre o PT e o PMDB

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reuniu-se com o vice-presidente da República, Michel Temer, e dirigentes do PMDB, nesta terça-feira, para conversar sobre as possíveis soluções na disputa por cargos pleiteados pelo partido no segundo escalão do governo. Na pauta, a reação do partido que, na véspera, boicotou a presença de líderes partidários nas recentes nomeações em ministérios e empresas públicas.

A reunião marcada, inicialmente, para a residência de Sarney, foi cancelada e um novo local foi agendado, mas longe das câmeras. Fonte do PMDB disse ao Correio do Brasil, nesta manhã, que “o momento não é para dar entrevistas”.

– Precisamos conversar sem a pressão da imprensa – afirmou.

O presidente interino da legenda, senador Valdir Raupp (RO), os líderes na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e no Senado, Renan Calheiros (AL), além do senador eleito Eunício Oliveira (CE) e o deputado federal Eduardo Cunha (RJ) participaram do encontro.

A disputa por cargos entre o PMDB, o PT e demais partidos aliados também foi um dos ítens na pauta da reunião entre a presidenta e seus assessores mais próximos, na tarde desta segunda-feira. No encontro, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, também pediu o empenho de todos os setores do governo para encerrar as disputas partidárias no Congresso para que o deputado Marco Maia (PT-RS) seja eleito presidente da Câmara, em fevereiro, sem sobressaltos.

Nesta manhã, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, negou que a disputa por cargos signifique uma crise com o PMDB. Ele garante que a relação é “muito tranquila”.

– Não estamos vendo o que alguns veículos da mídia têm noticiando, sobre essa crise. Isso não existe. A relação com os partidos da base aliada é muito tranquila. O PMDB é parte importante desse projeto, que está colocando o Brasil em outro patamar. Esse debate (sobre cargos) tem acontecido de forma muito tranquila. A relação com o PMDB está muito boa – disse o ministro aos jornalistas.

Visita de cortesia

Na véspera, Sarney fez uma visita à presidente da República Dilma Rousseff, que lhe manifestou o desejo de “prestigiar e de trabalhar sempre em harmonia com o Poder Legislativo”, disse.

– A presidente deseja que nosso trabalho seja conjunto e que ao mesmo tempo, possa ser em favor do país – relatou Sarney.

O presidente do Senado disse ter conversado com a presidente da República sobre as matérias que estão pendentes de decisão no Senado e os projetos que devem ser votados este ano

– Nos colocamos à disposição dela para esclarecer sobre matérias que estão tramitando em nossa Casa – afirmou Sarney, na saída da posse do novo ministro do Turismo, Pedro Novais.

Sarney disse ainda que Dilma não fez nenhum pedido específico em relação à pauta de votações do Senado.

– Ao contrário, a provocação foi minha de expor as matérias que estavam tramitando. Dilma manifestou que queria trabalhar sempre em harmonia com o Poder Legislativo, para prestigiar o Poder Legislativo. A presidente deseja que nosso trabalho seja conjunto e que ao mesmo tempo, possa ser em favor do país – relatou Sarney.

Orçamento

José Sarney deve encaminhar ainda nesta semana à presidente Dilma o texto final da lei orçamentária de 2011, que deverá ser sancionado por ela. É provável que Dilma promova cortes de R$ 30 bilhões no orçamento de 2011, de acordo com notícias que vem sendo publicadas na imprensa. O salário mínimo, fixado em R$ 540, não deve ser afetado pelos cortes. Conforme o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, a cifra aprovada pelo Congresso deverá ser mantida.

Aprovado na noite do dia 22 de dezembro, o Orçamento para 2011 contempla um cenário econômico voltado para a austeridade no gasto público. Ali está estabelecido que o limite para remanejamento das verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá o teto de 30%, mas o governo deverá informar à Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) quando superar os 25%.

O texto da lei orçamentária seguirá ao Palácio do Planalto com duas mensagens: uma de Sarney para Dilma Rousseff e outra do 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), enviando o mesmo documento ao chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci.

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