São Paulo tenta voltar à vida normal

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Publicado terça-feira, 16 de maio de 2006 as 10:54, por: cdb

Os paulistas tentam voltar à vida normal, na manhã desta terça-feira, após os grupo criminoso PCC ter, aparentemente, ordenado o fim dos ataques e rebeliões no Estadoe São Paulo, iniciados na última sexta-feira. O comércio reabriu, os ônibus voltaram a circular – apesar dos atrasos de pelo menos 30 minutos – no entanto, o rodízio de veículos continua suspenso na cidade.

Os ataques contra as forças de segurança, deflagrados pelo PCC, continuaram na madrugada desta terça, mas foram em menor número e não deixaram policiais ou guardas feridos. A polícia matou suspeitos de envolvimento com os atentados.

Toda a ação criminosa, que deixou cerca de 80 mortos, foi organizada através de tefones celulares. Líderes da facção criminosa determinaram a presos e membros do PCC do lado de fora das cadeias que interrompessem a onda de violência.

O preso Orlando Mota Júnior, 34 anos, o Macarrão, foi um dos principais interlocutores do governo. Ele e outros líderes do PCC deram a ordem de cessar os atentados após uma negociação entre o governo e presos. Na ocasião, a Secretaria da Administração Penitenciária negou qualquer acordo.

Nas conversas com representantes da Secretaria da Administração Penitenciária, a facção condicionou o fim dos ataques a benefícios a presos transferidos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, 620 km de SP. Entre as reivindicações estão a visita íntima e televisores para os presos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). O sistema mais rígido proíbe esses dois benefícios.

<b>Atentados</b>

Foram registrados cerca de 270 ataques criminosos, desde sexta. O último balanço divulgado pelo governo estadual aponta que as ações deixaram 81 mortos, 22 policiais militares, seis policiais civis, três guardas municipais, oito agentes penitenciários e quatro civis. Até a tarde de segunda-feira, 38 suspeitos de ataques haviam morrido em supostos confrontos. Treze presos também morreram em rebeliões, elevando para 94 o número de mortes.

O PCC ainda promoveu, ao lado da série de ataques, uma onda de rebeliões que atingiu mais de 80 penitenciárias, CDPs e cadeias públicas do Estado. Na noite de segunda, todas foram consideradas encerradas.

<b>Segunda-feira</b>

A sensação de insegurança parou São Paulo na segunda-feira. Ataques aos transportes coletivos obrigaram empresas de ônibus a paralisarem o serviço – não deixando os veículos saírem das garagens, deixando milhares de pessoas sem condução. O rodízio de carros foi cancelado o que resultou em congestinamento recorde às 17h30, com 195 km de extensão. A situação se repetiu na Baixada Santista.

<b>Tensão</b>

O sentimento de insegurança provocou uma onda de boatos na internet. Em entrevista realizada na noite de segunda-feira, o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, pediu tranqüilidade à população, mas admitiu que as forças de segurança do Estado estão contra o crime organizado.

-Vamos ter mais baixas, mas não vamos recuar – afirmou. O coronel ressaltou que a “grande maioria” dos ataques registrados são “contra imóveis, não contra pessoas”.

Também em entrevista à imprensa, o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, reuniram-se nesta segunda-feira  e disseram  à população que as forças de segurança paulistas têm o controle da situação da segurança no Estado.

Os dois concordaram em dizer que “ainda não é o momento” de colocar as tropas do Exército nas ruas de São Paulo.

</b>Motivo</b>

O movimento é uma retaliação do PCC à decisão do governo estadual de isolar lideranças da facção. Na quinta-feira passada (11), 765 presos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), em uma tentativa de evitar a articulação de ações criminosas.

No dia seguinte, oito líderes do PC