São Paulo tem a maior taxa de desemprego de toda sua história

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Publicado quarta-feira, 28 de maio de 2003 as 12:38, por: cdb

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registrou no mês de abril a maior taxa de desemprego da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Fundação Seade, em convênio com o Dieese, iniciada em 1985.

Foram 1,941 milhão de desempregados no mês passado, o equivalente a 20,6% da População Economicamente Ativa (PEA), o que significa que um em cada cinco trabalhadores permaneceu sem emprego no período. Em março, o desemprego havia atingido 19,7% da PEA.

O desempenho do indicador em abril foi influenciado pelo ingresso de 129 mil pessoas no mercado de trabalho, num período em que foram geradas apenas 19 mil novas ocupações. Chama a atenção o crescimento de 10,6% do desemprego entre pessoas de 25 a 39 anos, idade em que o trabalhador costuma ser mais produtivo.

O corte de vagas foi recorde também entre chefes de domicílio, que respondem pela maior remuneração das famílias. Com o aumento de 4,1% no desemprego desse segmento populacional observado em abril, a taxa de chefes de família desempregados chegou a 12,6%, a maior desde maio de 1999.

Segundo a Fundação Seade, a taxa de desemprego alta é típica para o mês de abril. No ano passado, o patamar de abril foi o mais alto do ano, acometendo 20,4% da PEA.

Comércio é campeão na eliminação de vagas

Os assalariados do setor comercial foram os mais atingidos pelo desemprego em São Paulo. De acordo com a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), o comércio foi responsável pela eliminação de 49 mil postos de trabalho no período, e foi o único setor a demitir mais que contratar.

A indústria e o setor de serviços passaram o mês praticamente estáveis no que diz respeito ao trabalho, ficando responsáveis pela criação de cerca de 3 mil ocupações. Entretanto, houve pequenas diminuições do trabalho assalariado nos dois setores, que acabaram sendo compensados pela geração de empregos para autônomos, que caracterizam vagas sem garantia de direitos trabalhistas e geralmente de menor qualidade e segurança profissional.

Quem mais gerou empregos no mês passado foi mesmo o agregado Outros Setores – que inclui basicamente os serviços domésticos e a construção civil. Foram criadas 62 mil novas vagas, devido principalmente ao crescimento nos serviços domésticos.