São Paulo perde participação no PIB

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 03:34, por: cdb

O Estado de São Paulo perdeu participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e modificou sua estrutura econômica ao longo da década de 90. Dados divulgados, nesta quinta-feira, nas Contas Regionais de 1999 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a contribuição estadual para o PIB do País caiu de 37,02%, em 1990, para 34,95%, em 99. A perda dos dois pontos porcentuais representa cerca de R$ 20 bilhões anuais que deixaram de ser gerados no Estado. No que diz respeito aos principais setores de atividade, houve significativa queda da participação da indústria de transformação no PIB estadual, de 41,18%, em 1990, para 28,69%, em 1999.

O chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Eduardo Nunes, explicou que o fenômeno ocorreu especialmente na segunda metade da década de 80, quando as empresas encolheram devido à explosão inflacionária. Além disso, houve transferência de fábricas paulistas para outras regiões. “A recuperação que ocorreu no setor após o Plano Real foi suficiente apenas para retorno aos níveis de 1988”, disse.

Por outro lado, cresceu significativamente a participação da administração pública no PIB paulista entre 1990 e 1999 (9,75% para 12,13%) e das atividades imobiliárias (7,43% para 17,77%), que incluem imóveis e prestação de serviços às empresas, como informática.

Nunes disse que o aumento da participação da administração pública ocorreu especialmente por causa do regime jurídico único, que modificou as regras trabalhistas para o serviço público. Além disso, segundo ele, o Estado concentra atividades dos governos federal, estaduais e municipais. O item administração pública inclui todos os gastos do governo com prestação de serviços e pessoal contratado.

No caso das atividades imobiliárias, Nunes lembrou que, além de toda a importância que a tecnologia passou a ter para as empresas, os preços dos aluguéis subiram 600 pontos porcentuais acima da inflação média da década. Apesar das mudanças, ele sublinhou que São Paulo concentrava, em 1999, quase metade (46,84%) do PIB da movimentação financeira do País. “A alta participação leva a crer que empresas de outras regiões fazem aplicações financeiras no Estado”, disse.

O Estado responde por 20,79% do PIB agrícola e 41,79% do PIB industrial brasileiro.

A participação paulista no PIB do País caiu também em 99 (34,9%) ante 1985 (36,12%) e 1988 (35,5%). Segundo explicou Nunes, a fatia perdida por São Paulo foi absorvida por outros Estados, especialmente Mato Grosso e Amazonas. Segundo o IBGE, a expansão das plantações de milho, soja e algodão, fez com que a agricultura do Mato Grosso registrasse um crescimento de 260% nos anos 90, levando a um aumento no PIB estadual de 87% na década.

O Estado elevou a participação no PIB nacional de 0,69%, em 1985, para 1,20%, em 1999. No caso do Amazonas, a conclusão da pesquisa do IBGE é que a produção de aparelhos de TV, vídeo e som e telefones celulares foi a responsável por um crescimento de 122% na economia do Estado na década de 90.

Entre 1985 e 1999, a participação amazonense no PIB nacional cresceu de 1,52% para 1,60%. Houve também uma mudança regional em termos de participação no PIB ao longo da década.

A participação dos quatro maiores Estados do País (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) no PIB brasileiro caiu de 65,3%, em 1990, para 64,08%, em 1999, segundo o IBGE. De acordo com Nunes, a riqueza dessas regiões foi em parte deslocada para Centro-Oeste, Amazonas, Pará e Goiás. Em termos regionais, entre 1990 e 1999 ocorreram as seguintes mudanças nas participações: Norte (4,94%, em 1990, para 4,45%, em 1999); Nordeste (12,86% para 13,11%); Centro-Oeste (5,16% para 6,44%); Sudeste (58,83% para 58,25%) e Sul (18,21% para 17,75%).