Santos x Boca Jr: Após 40 anos quem vai levar a melhor?

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Publicado quarta-feira, 25 de junho de 2003 as 13:08, por: cdb

Depois de 40 anos, Santos e Boca Juniors voltam a se enfrentar na noite desta quarta-feira em uma final da Copa Libertadores da América. O jogo, o primeiro da decisão, será no estádio da Bombonera, na capital argentina.

O sentimento dos torcedores do Boca é de que chegou a hora da revanche e de levar o título que o Santos ganhou em 1963.

– A diferenca é que agora os dois times estão mais equilibrados, e Pelé está fora. Naquela época, era até roubo ter Pelé como adversário – lembra o ex-defensor do Boca Juniors e hoje deputado federal Antonio Rattin.

À época, Rattin tinha 25 anos. Agora, fala daquela partida com olhos marejados, enquanto mostra à BBC Brasil, em seu gabinete, uma foto em preto e branco ao lado de Pelé, naqueles anos 60.

Maracanã

Na foto, Pelé veste a camisa do Boca em homenagem ao colega Rattin, com quem trocou uma do Santos.

Rattin falou da emoção de jogar num Maracanã lotado, onde a maioria queria ver, principalmente, os dribles de Pelé.

– Era um time glorioso. Só faltava Garrincha, que não jogou porque era do Botafogo. Mas era um time de campeões das duas Copas anteriores – elogiou.

Fã do Boca, ele não se animou, porém, a comparar o jogador Robinho a Pelé.

– O Santos tem uma equipe jovem e com futuro – preferiu dizer.

Um dos principais comentaristas de futebol da Argentina, Fernando Niembro, da TV Fox e da rádio Diez, disse que a partida, que começa às 21h40, será “histórica”.

– Primeiro, porque ninguém pode esquecer aquele time brasileiro e, segundo, porque agora o Boca é mais experiente. Porém, jamais se pode desprezar o futebol brasileiro – analisa.

Surpresa

Para Niembro, o Santos foi a surpresa deste campeonato, revelando-se em vitórias contra times do México, da Colômbia e do Uruguai.

– Nesta quarta, vamos ver um choque entre duas potências. São dois estilos diferentes, porém dois times com a mesma particularidade: a de terem tido os dois melhores jogadores do mundo, Pelé e Maradona. Sendo que Pelé jogou aquela partida inesquecível.

Nas últimas horas, na capital argentina, a partida passou a estimular provocações dos argentinos aos jogadores brasileiros.

O jornal esportivo Olé publicou na capa um grupo dando gargalhadas e dizendo o similar a “garotos, agora é nossa vez”.

A partida é um dos principais assuntos dos amantes do futebol na Argentina.

– Torço para o River Plate, mas nesta quarta-feira, que meus amigos não me ouçam, sou Boca. Afinal, sou argentino – afirmou o jornaleiro Juan Jose Franco, confirmando o clima de disputa Brasil x Argentina.

– Sou Racing, mas confesso que talvez seja o único a estar torcendo pelo Brasil. Quer dizer pelo Santos – diz o comerciante Alberto Mayo.

Pressão

O goleiro do Boca, Roberto Abbondanzier, foi mais longe.

– O Santos vai sentir a pressão da Bombonera. Mas é melhor aproveitarmos agora porque depois poderá ser mais difícil, na final, em São Paulo.

O estádio leva o nome de Bombonera em referencia à sua arquitetura, semelhante a uma caixa de bombons.

O técnico do Boca, Carlos Bianchi, admitiu que a partida não será fácil, porque envolve não só qualidades, confessou, mas sentimentos.

– Podemos ganhar as duas partidas. Mas também podemos ganhar uma ou nenhuma – alertou aos torcedores do Boca.

Bianchi lembrou que ele mesmo jogou contra Pelé, em 1969, e orgulhou-se de contar que, na ocasião, marcou cinco gols.

– Lamento não ter marcado o sexto.

Fila

Para ver de perto o clima de final, torcedores argentinos dormiram na fila para comprar ingressos. Foram mais de 40 mil ingressos vendidos, mas apenas 1,6 mil para a torcida brasileira.

De acordo com o jornal La Nación, a movimentação levou o presidente do clube brasileiro, Marcelo Teixeira, a reclamar por mais ingressos, já que no Morumbi serão destinados 3,6 mil à torcida do Boca.

A imprensa local noticiou ainda que o Santos, segundo o técnico Emerson Leão, contratou 20 seguranças.