Santos joga sua partida mais importante desde a era Pelé

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Publicado quarta-feira, 2 de julho de 2003 as 16:31, por: cdb

Nesta quarta-feira, às 21h40, no Morumbi, contra o Boca Juniors, o Santos tem a partida mais importante dos últimos 40 anos: a final da Copa Libertadores da América. Desde a despedida de Pelé em meados da década de 70, o clube nunca havia chegado tão longe.

Depois de haver perdido a primeira partida em Buenos Aires por 2 a 0, semana passada, o time brasileiro precisa vencer por três gols de vantagem para ficar com o título. Vitória por dois gols de diferença leva a decisão aos pênaltis.

Apesar da dramática perda de Elano e a inesperada escalação de Wellington, o Santos está mais do que motivado para alcançar o tricampeonato que vale US$ 500 mil de premiação.

– Eu abracei o Elano que estava chorando e fui logo falando: o momento não é para lamentações. Pelo contrário. Temos de estar empolgados porque esta é a partida das nossas vidas. Esta geração de jogadores que Leão montou no Santos tem que conquistar essa Libertadores. E nós vamos ganhar – promete Diego.

– Eu quero que a partida comece logo. Mas sei muito bem que precisaremos de tranqüilidade para ganhar o título. Tudo o que os argentinos sonham é que o nosso desespero para fazer vários gols acabe nos expondo. Nós iremos ganhar essa decisão com a cabeça e o coração. Só coração não adianta – sentenciou o jovem meia santista.

Diego entrega o plano tático do Santos. O treinador quer a pressão na saída de bola argentina, mas exige que o time mantenha a parte defensiva bem colocada para os eventuais contragolpes do Boca.

– Sabe por que o Santos não vai mudar profundamente a sua maneira de jogar? Porque sempre marcamos três ou quatro gols. Não vejo necessidade de improvisar ou pressionar o meu time. Quero que todos mantenham a tranqüilidade e não tenham afobação. Os dois gols de vantagem do Boca deverão ser revertidos com calma – disse Leão.

– Serão noventa minutos de partida, não existe essa coisa de fazer os gols nos primeiros minutos ou então tudo fica impossível. O Santos já quebrou tantos tabus no futebol brasileiro até chegar a esta final que quebrará mais um – apostava, confiante, Leão.

O técnico brincou com os jogadores. “Nós vamos ganhar aos poucos dos argentinos.” A perda de Elano fez o treinador apostar em Wellington. O jogador de 22 anos ficou triste por Elano, mas está entusiasmado com a chance de disputar a final.

– Sinceramente, não esperava. Mas sei que vou corresponder. Todos sonham em estar em uma final da Libertadores. A minha chance surgiu e eu não irei desperdiçá-la – assegurava.

Leão teve uma séria conversa com os jogadores. Seu medo é que a equipe fique tensa para atacar. Normalmente o time prefere o lado esquerdo com Robinho e Léo. Ainda mais agora, sem Reginaldo Araújo, suspenso, e Elano, contundido, até por instinto, os jogadores procuraram a esquerda.

– Isso não pode acontecer. Precisamos ser equilibrados. Forçar pelos dois lados. Se não for assim, o Boca trava a sua direita e consegue o domínio do jogo. Nós vamos forçar por todos os espaços possíveis para ganhar essa final por goleada, como precisamos – decretava Renato.

A convocação de Alex, Paulo Almeida, Diego e Robinho para a Copa Ouro foi o “doping” que Leão esperava.

– Todos ficaram ainda mais motivados para conseguir esse título importantíssimo. Apesar de termos perdido o Elano estamos felizes e animados para sermos campeões. Quem vai sair do Morumbi chorando serão os argentinos – promete o técnico, que também disputará a partida mais importante da sua carreira.