Salgueiro e Unidos da Tijuca levantam o Sambódromo

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Publicado segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005 as 13:12, por: cdb

Acadêmicos do Salgueiro e Unidos da Tijuca destacaram-se na primeira noite de desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio. A primeira levou para a Marquês de Sapucaí um enredo sobre o fogo e empolgou pelo samba bem cadenciado e o luxo das fantasias. A Tijuca, vice-campeã em 2004, foi a que mais entusiasmou o público, com uma apresentação marcada pela criatividade do carnavalesco Paulo Barros. As duas, no entanto, tiveram alguns problemas em evolução e com carros alegóricos, que quebraram parcialmente.

A Estação Primeira de Mangueira, apesar de toda expectativa, deixou a desejar. Recebeu logo o carinho de sua numerosa torcida, mas a exaltação foi diminuindo aos poucos. O abre-alas da Verde-e-Rosa trouxe figuras tradicionais da escola e do Morro da Mangueira. A idéia, elogiada por sambistas mais antigos, parece não ter surtido muito efeito. Logo à frente, Vó Lucíola, de 104 anos, parteira do morro, desfilava numa cadeira de rodas e aparentava uma certa frieza, revelada antes da exibição. “Detesto carnaval. Só vim porque meus netos me obrigaram.”

A Mocidade Independente de Padre Miguel fez um desfile correto, porém, sem brilho, logo na abertura da festa – fator que pode ter contribuído para a pouca motivação de seus componentes: as arquibancadas do sambódromo ainda estavam com muitos claros quando a Mocidade entrou na Sapucaí. Império Serrano, uma das escolas mais tradicionais do Rio, também não empolgou.

Um dos momentos marcantes do desfile foi a homenagem das passistas da Vila Isabel ao carnavalesco Joãosinho Trinta, internado desde 26 de novembro após sofrer um acidente vascular cerebral. Iniciaram a apresentação orando por ele. A escola foi a campeã do Grupo de Acesso, em 2004, e vai tentar se manter no Grupo Especial. Antes, a Tradição, fundada em 1984 por dissidentes da Portela, mostrou uma viagem pela história da soja, com um samba fraco e fantasias mal-acabadas. É séria candidata ao rebaixamento.

Mocidade Independente de Padre Miguel – A agremiação abriu na noite de domingo o desfile do Grupo Especial com um enredo sobre a Itália, suas artes, culinária e contribuições à ciência. Apresentou-se com a pompa de quem investiu R$ 5 milhões na festa do carnaval carioca. Esbanjou luxo. Um dos carros mais belos, sobre a ópera, trazia a fachada do Teatro Municipal de um lado e o Teatro Scala de Milão do outro. A cantora Zizi Possi era o destaque principal. No carro das artes culinárias, um pizzaiolo fazia pizzas de verdade. A última alegoria representou a moda de Milão com uma passarela estilizada.

Império Serrano – Surpreendida por uma pancada de chuva no meio do desfile, a tradicional escola de Madureira não se deixou abater, muito embora a água tenha danificado algumas fantasias. Assim como a Mocidade, não conseguiu empolgar o público. O enredo “Um grito ecoa no ar” fez o estilo politicamente correto e pediu um basta à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Campeã pela última vez em 1982, quando ganhou o carnaval com o samba marcante Bumbum paticumbum prugurundum, a Império Serrano tenta voltar a figurar entre as grandes escolas, mas sofre com brigas internas e a falta de patrocínios. Ano passado, levantou a Sapucaí ao reeditar o samba Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira. No final da noite de domingo, não teve a mesma sorte.

Acadêmicos do Salgueiro – O Salgueiro cumpriu o prometido e aqueceu a Marquês de Sapucaí com o enredo “Do fogo que ilumina a vida, Salgueiro é chama que não se apaga“. Havia chamas para todos os lados. Já na comissão de frente, Prometeu trazia uma tocha acesa, disputada por 15 homens das cavernas – os bailarinos tinham o rosto coberto por uma máscara de látex. Havia chamas também em um vulcão no carro abre-alas, lançadas por engolidores de fogo da Escola Nacional de Circo, e fogos de artifício no carro “O fogo faz a festa”.

O Salgueiro levou para a avenida ca