Saddam volta ao tribunal e acusa ministro de torturar e matar

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Publicado quarta-feira, 5 de abril de 2006 as 12:15, por: cdb

Saddam Hussein voltou ao tribunal iraquiano onde é julgado, nesta quarta-feira, e acusou o Ministério do Interior de ter torturado e matado milhares de iraquianos. As declarações devem inflamar ainda mais a tensão entre facções religiosas do país. Saddam, que pode ser condenado à morte por enforcamento, continua desafiador um dia depois de a corte ter anunciado que ele enfrentará novas acusações de genocídio contra a população curda no final dos anos 1980.

Políticos iraquianos e autoridades jurídicas expressam opiniões diversas sobre se Saddam seria executado se fosse condenado em um julgamento ou se seria julgado de novo antes por novas acusações. O homem que já mandou no Iraque parecia calmo, sorrindo às vezes ao se esgueirar das ordens do juiz para evitar declarações políticas.

– Se você quer colocar a baleia na rede, o que eu não acho que esteja fazendo, tem que dizer a verdade. Não fique bravo comigo. Sou mais velho que você e tenho um posto superior e um histórico melhor, e mesmo assim não estou bravo com você – afirmou ele ao promotor-chefe, Jaafar al-Moussawi.

Saddam recusou-se a assinar documentos, dizendo que somente uma corte internacional seria justa, e denunciou o Ministério do Interior.

– É a parte que mata milhares nas ruas e tortura… – disse, em críticas ao ministério dirigido por xiitas, que está sendo acusado por árabes sunitas de manter esquadrões da morte. Os sunitas eram a facção dominante quando Saddam governava.

O ministro do Interior, Bayan Jabor, é uma figura odiada entre os sunitas, que o acusam de fazer uma campanha violenta contra eles e de permitir que milícias xiitas mantenham os seus esquadrões com impunidade. Ele nega as acusações. Saddam era o único réu presente à sessão. O ex-ditador e outros sete réus são acusados pelo assassinato de 148 xiitas após uma tentativa frustrada de matá-lo na cidade de Dujail, em 1982.