Saddam diz que os EUA querem controlar o mundo

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Publicado quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003 as 17:50, por: cdb

Em entrevista exclusiva ao ex-parlamentar britânico Tonny Benn, transmitida ontem à noite pelo canal de TV britânico Channel Four, o presidente iraquiano Saddam Hussein negou que tivesse qualquer ligação com a rede terrorista al-Qaeda.

“Se tivéssemos alguma relação com a al-Qaeda, e acreditássemos nessa relação, não teríamos vergonha alguma de admiti-la.”

Hussein insistiu que o Iraque está colaborando com os inspetores de armas da ONU e seguindo o determinado na Resolução 1441 da organização. A resolução determina que o país abandone suas armas de destruição de massa.

“Qualquer pessoa razoável sabe que os iraquianos vêm cumprindo suas obrigações de acordo com a resolução 1441. O Iraque não tem interesse na guerra.”

O presidente iraquiano também disse que os Estados Unidos podem estar buscando a guerra para tirar vantagem das reservas de petróleo iraquianas e “controlar o mundo”.

“Para controlar o mundo, é necessário controlar o petróleo. Sendo assim, a destruição do Iraque é um pré-requisito para o controle do petróleo”.

Leia a íntegra da entrevista

Benn: Eu venho apenas por uma razão. Para ver se com esta conversa podemos explorar, e o senhor pode me ajudar a enxergar, quais os caminhos para a paz.

Minha única razão é o fato de lembrar da guerra porque perdi um irmão. Nunca mais quero ver outra guerra.

Existem milhões de pessoas no mundo inteiro que também não querem uma guerra, e ao concordar em ceder esta entrevista, que é histórica para todos nós, espero que o senhor possa me ajudar a transmitir algo de significativo e positivo para o mundo.

Saddam: Bem-vindo a Bagdá. Você tem consciência do papel assumido pelo povo iraquiano, inspirado pela sua própria cultura, sua civilização e seu papel na história humana. Esse papel exige paz, para que seja possível prosperar e progredir. Ao dizer isso, afirmo que os iraquianos estão comprometidos com seus direitos, assim como estão comprometidos com o direito dos outros. Desprovidos de paz, eles enfrentarão muitos obstáculos que acabarão por impedi-los de realizar seu papel humano.

Benn: Sr. Presidente, o Iraque possui armas nucleares?

Saddam: A maioria dos oficiais iraquianos está no poder há 34 anos, e tem experiência em negociar com o resto do mundo. Qualquer pessoa sabe que quando um oficial iraquiano diz algo, ele é confiável.

Há alguns minutos atrás quando você me perguntou se eu queria examinar as perguntas que você me faria, eu lhe disse que não haveria necessidade, e que não perdêssemos tempo, e lhe dei liberdade para me fazer qualquer pergunta diretamente, para que minha resposta fosse direta. Essa é uma oportunidade de atingir a população britânica e as forças de paz no mundo.

Só há uma verdade, logo lhe direi – como já declarei em diversas ocasiões anteriores – que o Iraque não tem qualquer arma nuclear. Desafiamos qualquer um que afirme o contrário, a mostrar qualquer evidência e apresenta-la à opinião pública.

Benn: O senhor tem ligações com a rede al-Qaeda?

Saddam: Se tivéssemos alguma relação com a al-Qaeda, e acreditássemos nessa relação, não teríamos vergonha alguma de admiti-la. Portanto, eu gostaria de dizer a você e a qualquer um que esteja interessado, que não mantemos relação alguma com a al-Qaeda.

Benn: Com relação à inspeção, os inspetores parecem estar enfrentando alguns obstáculos, e eu imagino se há algo que o senhor possa dizer sobre tais dificuldades, e se o senhor acredita que tudo estará resolvido antes que o sr. Hans Blix e o sr. ElBaradei retornem a Bagdá?

Saddam: Você está ciente de que todo grande evento encontra alguma dificuldade.

Na questão da inspeção e das resoluções que dizem respeito ao Iraque, você deve ter acompanhado o processo e deve ter uma opinião se essas resoluções tem base nas leis internacionais ou não.

Independente disso, o Conselho de Segurança as produziu. Essas resoluções – executadas ou não – ou os motivos