Rússia sai em defesa do brasileiro José Maurício Bustani

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Publicado quarta-feira, 24 de abril de 2002 as 17:16, por: cdb

A Rússia criticou nesta quarta-feira a medida liderada pelos Estados Unidos que levou à destituição do secretário-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), o diplomata brasileiro José Maurício Bustani. Na segunda-feira, 48 países membros da entidade haviam votado a favor da demissão do brasileiro. Sete nações votaram contra a medida e 43 se abstiveram. “A Rússia criticou a substituição de Bustani e considera que ele fez um grande trabalho para resolver questões relacionadas à proibição e à destruição de armas químicas”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Alexander Yakovenko.

“Graças às ações de Bustani, a Opaq transformou-se em um órgão internacional independente e respeitado, tornando-se um dos mais importantes mecanismos de controle de armas e de desarmamento”, acrescentou.

Bustani chefiava a organização desde o seu estabelecimento, em 1997, na cidade holandesa de Haia, para supervisionar a destruição dos arsenais mundiais de armas químicas e suas fábricas. Apesar de ter apoiado a sua reeleição, em maio de 2000, o Departamento de Estado norte-americano acusou Bustani, recentemente, de irregularidades na administração do órgão e de mergulhá-lo numa crise. Os EUA também acusaram Bustani de ameaçar inspeções em cinco países, não identificados, para “fins políticos”.

O diplomata brasileiro, ainda segundo os norte-americanos, tinha um “hábito de se recusar a fazer consultas” com países membros, citando como exemplo o fato de Bustani ter proposto medidas antiterrorismo depois dos atentados de 11 de setembro sem, inicialmente, abordar os EUA. Bustani, por sua vez, afirmou que foi atacado por aquilo que considera sua política de tratar todos os países membros com igualdade. “Eu nunca aderi à teoria de que ‘igualdade’ é proporcional ao tamanho da contribuição orçamentária de um país membro”, declarou o brasileiro.

“É uma ironia que, por eu ter me oposto a decisões que teriam estabelecido um padrão duplo na organização, sou agora acusado de ser parcial”, acrescentou.

“O que é parcialidade para alguns é, na realidade, o meu compromisso de ‘igual tratamento para todos'”, completou. “Eu insisto em que o escopo de acesso para os nossos inspetores deva ser o mesmo em todos os países”.