Rússia promete restabelecer fornecimento de gás à Europa

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Publicado segunda-feira, 2 de janeiro de 2006 as 15:35, por: cdb

A estatal russa Gazprom, monopolista do gás natural no país, anunciou nesta segunda-feira que vai reestabelecer o fornecimento total à Europa até a noite de terça-feira, após reduzir o fornecimento à Ucrânia devido a uma disputa sobre preços, informaram agências de notícias locais. A estatal também informou ter enviado 95 milhões de metros cúbicos de gás extra à Europa, onde vários países relataram problemas no abastecimento. A Europa Ocidental, onde a demanda está perto de níveis máximos por causa das baixas temperaturas, importa 25% de sua demanda da Rússia, sendo que grande parte é escoada via oleodutos que atravessam a Ucrânia.

Nesta segunda-feira, a Alemanha alertou à Rússia que a decisão unilateral de reduzir o fornecimento de gás para a Ucrânia pode afetar as relações econômicas de Moscou com o Ocidente. O fornecimento de gás para a Europa através dos oleodutos ucranianos começou a cair dramaticamente em pleno inverno no Hemisfério Norte depois do bloqueio russo, causando preocupações nos países ocidentais pela insegurança no setor de energia.

A Rússia, que assume a presidência do G8 pela primeira vez neste mês e que procura ser vista como uma fonte de energia confiável, cortou o fornecimento de gás para a nação vizinha no domingo, depois de a Ucrânia rejeitar o aumento de mais de 300 por cento no preço do produto. A Ucrânia acusou a Rússia de chantagem nesta segunda-feira, dizendo que Moscou desejava desestabilizar sua economia. Os russos responderam que os vizinhos estavam roubando suprimentos destinados à Europa — o que a Ucrânia negou.

A Rússia afirmou que não tem outra opção além do corte depois que a Ucrânia se recusou a assinar um novo contrato para colocar fim ao regime de preços especiais herdado da era soviética. O ministro alemão da Economia, Michael Glos, cujo país é o maior consumidor de gás russo, disse que Moscou deve agir de forma responsável.

– Trinta por cento do nosso gás vem da Rússia no momento. Isso deve aumentar. Mas isso só pode aumentar se nós soubermos que as entregas vindas do leste são confiáveis. A Rússia tem a presidência do G8 e também aqui (nessa disputa) deve naturalmente agir com responsabilidade – afirmou Glos à rádio alemã WDR.

Os gasodutos que levam o produto russo para os países europeus atravessam a Ucrânia. Por isso, a manobra afetou rapidamente a região central da Europa, a Áustria, a Hungria e a Polônia registraram quedas no fornecimento de gás. Os consumidores europeus comuns não devem ser afetados no curto prazo, mas qualquer redução no abastecimento da indústria pode causar dano econômico significativo.

Para o governo russo, o embate é puramente comercial. Mas a Ucrânia vê nele uma tentativa de minar o governo pró-Ocidente do país, que tem eleições parlamentares dentro de três meses. Não havia indicação de nenhum dos lados nesta segunda-feira de que as negociações avançavam ou mesmo se elas continuavam.

Inverno frio

A Europa Ocidental, onde a demanda está perto do máximo devido ao inverno rigoroso, importa 25 por cento de seu gás da Rússia e a maior parte do produto chega pelos gasodutos que cortam o território ucraniano. A Noruega, maior exportadora de gás natural da Europa Ocidental, afirmou estar produzindo em capacidade máxima, mas que não poderia suprir as necessidades completamente.

A estatal russa Gazprom, detentora monopólio do gás natural no país, disse haver escoamento suficiente via Ucrânia para abastecer outros países, mas advertiu que se eles não estiverem recebendo o produto será porque os ucranianos podem estar desviando-no. De acordo com a Gazprom, a Ucrânia tinha “roubado” gás destinado à Europa no valor de mais de 25 milhões de dólares. O governo ucraniano negou a acusação, mas admitiu que usaria o gás caso as temperaturas caíssem muito.

“Um cenário dirigido a criar pressão econômica e chantagem começou”, avaliou o Ministério do Exterior em Kiev.

O presi