Rússia pede ao G8 que ‘esqueça a guerra fria’

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 8 de maio de 2006 as 12:38, por: cdb

Os países mais industrializados do mundo precisam aceitar o compromisso da Rússia com a democracia e enterrar os “fantasmas da Guerra Fria” no próximo encontro do Grupo dos Oito (G8), em julho, disse o ministro russo da Energia, Viktor Khristenko, em comentários divulgados nesta segunda-feira. Em um artigo publicado no jornal The Financial Times, o ministro rejeitou as críticas do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, de que a Rússia está usando suas grandes reservas de energia para defender seus interesses políticos.

“Ficamos muito surpresos com os comentários recentes feitos no Ocidente de que a Rússia distorce suas políticas energéticas. A Rússia afastou-se da prática dos tempos soviéticos de subsidiar os preços dos combustíveis para nossos vizinhos e voltou-se para o mecanismo de fixação de preços com base no mercado. Estamos cientes de que as opiniões consolidadas mudam lentamente, mas é hora de o Ocidente reconhecer o momento cada vez maduro do progresso realizado pela Rússia”, escreveu Khristenko.

Os comentários de Cheney deixaram o governo russo furioso pouco antes da realização, em São Petersburgo, de uma cúpula do G8 da qual participará o presidente norte-americano, George W. Bush. Khristenko conclamou todos a “permitir que as opiniões datadas fiquem para trás” e a tentar achar pontos de vista em comum quanto ao setor energético.

“Temos a esperança de que, em julho próximo, os líderes de nossos países amigos do G8 se reúnam com o mesmo espírito de diálogo sério e de colaboração prática. Não permitamos que nossos objetivos sejam atrapalhados por fantasmas da Guerra Fria”, escreveu.

Cheney disse no domingo que seus comentários foram “bastante ponderados”. Em uma entrevista, Bush afirmou que o governo russo enviava “sinais dúbios” a respeito da democracia.

A Rússia viu-se criticada no começo deste ano quando, por um breve período, suspendeu o fornecimento de gás para a Ucrânia em meio a uma disputa em torno do preço do produto, atrapalhando o suprimento do material para a Europa. O governo russo também avisou que a estatal que monopoliza o setor no país, a Gazprom (maior produtor do combustível no mundo), pode levar seu material para a Ásia se for impedida de ingressar no mercado varejista da Europa.

A Gazprom deseja expandir-se rumo à Europa ocidental e disse que a empresa britânica Centrica Plc é um alvo potencial para uma manobra de aquisição — apesar de ter defendido seu monopólio no setor em meio a apelos da Europa para que o abra à competição.