Rússia ironiza “marcha pela libertação” do Iraque por Estados Unidos

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 10:15, por: cdb

Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, usou um tom sarcástico, nesta quarta-feira, ao criticar os argumentos dos Estados Unidos de que suas forças estariam libertando o Iraque. “Já está ficando claro o quão distantes da realidade são as suas tentativas de apresentar a ação militar contra o Iraque como uma triunfante marcha para a libertação do povo iraquiano com um mínimo de baixas e de destruição”, disse Ivanov numa sessão do Parlamento.

Mas, logo depois, o ministro deixou a ironia de lado e, numa clara advertência, afirmou que os Estados Unidos não deveriam lançar uma “guerra de informação” contra a Rússia.

“Nós estamos muito preocupados com as tentativas de determinados círculos nos Estados Unidos de arrastar a Rússia para uma guerra de informação, que lança mão de acusações infundadas sobre empresas russas que teriam fornecido ao Iraque tecnologias de uso dual, passando por cima de sanções”, disse.

A Casa Branca alega que companhias russas enviaram ao Iraque mísseis antitanque, equipamentos de visão noturna e aparelhos capazes de interferir em sinais de satélite, numa violação de sanções impostas pelas Nações Unidas desde a crise a Guerra do Golfo, de 1990-1991.

Na terça-feira, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, disse que a embaixada dos EUA em Moscou havia repassado a Ivanov mais informações, que reforçariam essas alegações.

Mas, nesta quarta-feira, o ministro russo declarou: “Ninguém nos deu prova alguma”.

Ainda na sessão do Parlamento, Ivanov reiterou que a Rússia bloqueará, no Conselho de Segurança da ONU, toda e qualquer tentativa de legitimar a guerra no Iraque.

O ministro disse que apenas inspetores internacionais poderiam determinar se os iraquianos possuem armas de destruição em massa.

Ivanov acusou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de hipocrisia e de pôr em perigo toda a região do Golfo Pérsico.

“Eles dizem que o povo iraquiano é oprimido por um tirano, deve ser libertado e ter democracia. E vejam como eles estão tentando atingir esse objetivo: usando as armas mais poderosas na história”, disse. “De qual democracia estão falando quando tentam destruir completamente o país?”