Ruivas precisariam de doses maiores de anestesia, segundo pesquisa

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 15 de outubro de 2002 as 23:54, por: cdb

Mulheres com cabelo naturalmente vermelho precisariam de cerca de 20 por cento mais anestesia do que outras, o que confirmaria uma suspeita de muitos anestesistas, sugere um novo estudo realizado nos Estados Unidos.

A pesquisa usou uma amostra pequena e precisa ser aprofundada, mas é a primeira que faz uma ligação entre uma característica genética visível e doses de anestesia, disse o doutor Daniel Sessler, da University of Louisville.

Doses inadequadas de anestesia geral podem atrasar cirurgias ou até fazer com que o paciente desperte durante a operação — problemas que ocorrem em um por cento dos casos, afirmou Sessler.

Mas por que a cor do cabelo poderia influenciar na eficácia da anestesia?

Sessler cita uma teoria que estaria relacionada à melanina, um pigmento responsável pelas cores da pele e do cabelo.

A exposição ao Sol ativa um hormônio que desencadeia a produção de melanina, formando o bronzeado da pele.

As pessoas ruivas tendem a ter dificuldade para se bronzear porque o receptor para esse hormônio — o “melanocortin-1” – é defeituoso, o que faz também com que seu cabelo seja vermelho.

Sem um receptor normal para se acoplar, o hormônio de produção de melanina pode ter que interagir com um receptor semelhante, das células do cérebro, que influenciam a sensibilidade para dor, explicou Sessler.

Durante o estudo, Sessler e seus colegas ministraram a inalação de um anestésico comum a 10 mulheres saudáveis com cabelo naturalmente vermelho e a 10 morenas.

A seguir, eles lhes deram choques elétricos suaves, suficientes apenas para causar dor.

Os cientistas aumentaram ou diminuíram a quantidade de anestésico de acordo com a reação das mulheres. As ruivas precisaram de uma dose 20 por cento mais alta.

Sessler disse que seu laboratório já havia testado louras e descoberto que reagiam como as morenas, o que era esperado, já que apenas as ruivas possuem o melanocortin-1 defeituoso.

O estudo não investiga se os homens responderiam de forma similar – há diferenças entre os sexos na reação a muitos remédios – ou se as ruivas seriam afetadas da mesma maneira por anestésicos não inalados.