Ruanda tem 1ª eleição parlamentar multipartidária

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Publicado segunda-feira, 29 de setembro de 2003 as 10:56, por: cdb

Os eleitores em Ruanda estão participando de sua primeira eleição parlamentar em um sistema multipartidário desde 1994, quando cerca de 800 mil pessoas, a maioria da etnia tutsi, morreram em um genocídio no país.

As eleições, de três dias, irão definir novos ocupantes das câmaras alta e baixa do Parlamento, dentro de um sistema eleitoral considerado complexo.

No mês passado, Paul Kagame, um tutsi, venceu a eleição presidencial com 95% dos votos, batendo dois candidatos da etnia hutu, majoritária no país.

Estas eleições parlamentares marcam oficialmente o fim de nove anos de governo de transição.

Salvaguardas

O pleito é mais um passo na implementação da nova Constituição de Ruanda, que contém salvaguardas cujo objetivo é prevenir o retorno do extremismo étnico à política local.

A Constituição tenta garantir que todos os setores da sociedade serão representados no Parlamento.

Nesta segunda-feira, organizações que representam jovens e deficientes físicos vão eleger seus representantes. Na terça-feira, é a vez de quatro milhões de ruandeses irem às urnas para escolher seus futuros parlamentares.

Mulheres precisam ocupar pelo menos 30% das cadeiras e, na terça-feira, conselhos locais e entidades que reúnem mulheres vão analisar uma lista de candidatas e selecionar algumas para o legislativo nacional.

Os representantes na câmara alta do Parlamento, o Senado, serão eleitos pelos conselhos locais no mesmo dia.

Os senadores terão a missão de garantir que o novo sistema multipartidário não irá violar os princípios de unidade nacional sacramentados pela Constituição.

Falta de opções

O partido governista, a Frente Patriótica de Ruanda (FPR) é o favorito para conquistar o maior número de cadeiras no Parlamento e enfrenta candidatos de três partidos de oposição, além de 17 candidatos independentes.

Contudo, de acordo com analistas, é difícil enxergar diferenças entre as políticas defendidas pelo FPR e os partidos de oposição.

Grupos internacionais de defesa dos direitos humanos alegam que os eleitores vão ter pouca oportunidade de fazer escolhas de verdade, porque o governo da FPR limitou a oposição real no país nas semanas que antecederam as eleições.

A vitória significativa de Kagame foi saudada pelo partido como uma prova de que decisões tomadas com base na etnia estão se tornando coisa do passado em Ruanda.

Mas as eleições presidenciais foram prejudicadas pelas aparentes fraudes e irregularidades, denunciadas pela missão de observadores da União Européia e pelo principal candidato de oposição.