Ruanda busca justiça 10 anos depois de genocídio

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Publicado segunda-feira, 5 de abril de 2004 as 10:02, por: cdb

Os ruandeses deram início a esta semana em meio eventos para marcar os 10 anos do genocídio no país, com os desafios de perseguir e punir os responsáveis pelo crime, no qual morreram 800 mil pessoas.

A busca por justiça para as vítimas mostra ser um dos maiores desafios de Ruanda, país que convive atualmente com mais de 80 mil pessoas presas sob a acusação de terem participado dos crimes de 1994 e com a consciência de que os maiores suspeitos continuam soltos.

“As forças e os ideólogos responsáveis pelo genocídio em nosso país foram derrotadas, mas não foram destruídas. Elas ainda existem”, disse o presidente de Ruanda, Paul Kagame, a delegados reunidos na abertura de uma conferência de três dias sobre o genocídio. A reunião foi iniciada neste domingo em Kigali.

“A verdadeira questão é: como podemos acabar com essas forças malignas e garantir que não sejam mais uma ameaça a nossa sociedade?”

Nesta segunda-feira, os participantes da conferência devem discutir a justiça e a reconciliação. Na quarta, o país realiza uma cerimônia para enterrar os restos mortais de vítimas descobertos recentemente. Os restos devem ser colocados em uma tumba na qual estão cerca de 250 mil corpos de pessoas assassinadas em Kigali.

O genocídio começou depois de um avião no qual viajavam os presidentes de Ruanda e de Burundi ter sido abatido no dia 6 de abril de 1994. O episódio serviu como estopim para a campanha de massacres realizada por hutus extremistas, e cujas vítimas foram tutsis e hutus moderados.

Agora, um dos maiores problemas do país é lidar com os detidos nas prisões superlotadas de Ruanda. Se fossem esperar pela ação da Justiça comum, essas pessoas esperariam décadas para serem julgadas.


A fim de acelerar o processo, o governo criou tribunais de vilarejo, tendo treinado moradores desses locais para servirem como juízes. Defensores dos direitos humanos, porém, apontam para a possibilidade de haver casos de abuso e de falsos testemunhos.