Rogério Andrade e Fernando Iggnácio vão para presídio

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Publicado quarta-feira, 17 de janeiro de 2007 as 10:40, por: cdb

Os ‘chefões’ do jogo, Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, vão ser transferidos nesta quarta-feira das unidades da Polinter em que estão presos para o presídio de segurança máxima de Bangu 1. Eles serão submetidos ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD): ficarão isolados, sem direito a visitas, TV ou rádio.

Além deles, o juiz da 4ª Vara Criminal Federal, Vlamir Costa Magalhães, determinou que Paulo Cezar Ferreira do Nascimento, o Paulo Padilha, e os policiais civis Hélio Machado da Conceição, o Helinho; Fábio Menezes Leão, o Fabinho; e Jorge Luís Fernandes, o Jorginho, sejam incluídos no novo regime. Conhecidos como os ‘inhos’ da Polícia Civil, eles são ligados ao ex-chefe da corporação e atual deputado estadual Álvaro Lins.

Antes de ser levado para Bangu 1, o grupo, denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento com caça-níqueis, fará exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. A Justiça chegou a cogitar a hipótese de transferir os réus para a Penitenciária Federal de Catanduvas, Paraná, mas recuou, principalmente devido a audiências em que Iggnácio e Andrade ainda têm que comparecer na 1ª Vara Criminal de Bangu. Andrade responde com outros 29 réus a processo por formação de quadrilha e Iggnácio, por tentativa de homicídio. O juiz não determinou o prazo de cumprimento do RDD, mas a lei permite um período máximo de um ano.

R$ 5,7 milhões bloqueados

O juiz da 4ª Vara Criminal Federal, Vlamir Costa Magalhães, determinou o bloqueio de R$ 5,7 milhões de duas contas em nome de Fernando Iggnácio e de sua mulher, Carmem Lúcia. O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal. – Identificamos que ela efetuaria saques e pedimos o bloqueio das contas. Estamos investigando se a origem do dinheiro é ilícita – justificou o procurador Carlos Alberto Aguiar Medeiros.

Um levantamento feito mostrou que boa parte do dinheiro de Iggnácio é aplicada em negócios milionários ligados a fazendas nas cidades de Almenara, em Minas Gerais, e Barra do Choça, na Bahia. Em apenas um dos contratos, Iggnácio injetou R$ 50 milhões nas safras 2005 e 2006 em 125 hectares de quatro fazendas de café. A previsão era de produzir 16 mil sacas. Em Minas, a aplicação é em cabeças de gado, com previsão de chegar a 1.200 bezerros, num total de R$ 58,4 milhões em investimentos. Além dele, sua mulher, Carmem Lúcia, e o contador Ulisses Resende, atualmente foragido da Justiça, também investiram na região.

Por determinação da Corregedoria de Polícia Civil, houve revista na cela de Fernando Iggnácio, na 73ª DP (Neves), em São Gonçalo. Houve fiscalização ainda na Polinter, em Campo Grande, onde está preso Rogério Andrade e outros acusados de envolvimento com máfia dos caça-níqueis.