Rodovia do Mato Grosso é bloqueada pelo MST

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Publicado quinta-feira, 2 de outubro de 2003 as 04:18, por: cdb

A BR-070, que liga Cáceres a Cuiabá, foi bloqueada durante toda a última quarta-feira por cerca de três mil famílias de trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A rodovia foi bloqueada às 6 horas e só liberada às 17h15, na localidade denominada Facão, a 10 quilômetros de Cáceres, em frente ao acampamento dos sem-terra na Fazenda ressaca, ocupada há 15 dias. A área pertence ao grupo Grendene.

De acordo com os manifestantes, o protesto foi para exigir liberação de alimentos para as famílias. Eles afirmam que estão aguardando a liberação de 70 toneladas de comida, retida no armazém da Conab em Rondonópolis.

Com o bloqueio, a PRF estimou que quase mil veículos ficaram parados nos dois sentidos, com os passageiros enfrentando o calor de 37 graus. Algumas pessoas passaram mal com sintomas de desidratação e foram socorridas por patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal, que acompanhou o protesto.

Uma equipe do Incra esteve no local se reunindo com uma comissão de trabalhadores. A pista só foi liberada após horas de negociações, com a garantia da saída do estoque de alimentos para hoje. O coordenador estadual do MST, Mizael Barreto, que estava no protesto, afirmou que o acampamento dispunha apenas de arroz e macarrão para apenas mais uma refeição.

Mizael Barreto afirmou ainda que o protesto é também uma forma de alertar o governo federal para dar agilidade no processo da reforma agrária no país. Os manifestantes foram radicais no bloqueio, só liberando ambulâncias e carros funerários. O prefeito de Cáceres, Túlio Fontes (PFL), que vinha de Cuiabá de manhã, não conseguiu passar. Os manifestantes ameaçam novos protestos e até mesmo saques de alimentos, caso a carga do governo federal não seja distribuída imediatamente.

No mês passado, o MST fez outros bloqueios no Estado, com o mesmo propósito, tentando que a Conab liberasse comida para os acampamentos. Na ocasião, houve a promessa de que a comida seria liberada, o que não aconteceu.