Rocinha e o Vidigal estão cercados por 380 policiais civis e militares

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Publicado sábado, 10 de abril de 2004 as 09:33, por: cdb

Para evitar nova tentativa de invasão à Rocinha, 300 policiais militares e 80 policiais civis estão participando do cerco, por tempo indeterminado, e de incursões àquela comunidade e, também, ao Morro do Vidigal. A medida foi anunciada pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Renato Hottz, em entrevista coletiva à imprensa, no Quartel General da PM, na tarde desta sexta-feira (dia 9). Segundo o comandante, “o trabalho de contenção feito pela Polícia Militar impediu que traficantes rivais aos que controlam a venda de drogas na Rocinha invadissem a localidade e promovessem uma chacina de proporções imprevisíveis”.

As incursões estão sendo feitas por PMs do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), as duas unidades de elite da polícia do Rio. As operações contam com o apoio de um helicóptero do Grupamento Aeromarítimo (GAM) da PM.

De acordo com o coronel Renato Hottz, “a mobilização imediata de outras unidades da PM fez que com que os criminosos, que tentaram invadir a Rocinha pelo Vidigal, fossem contidos nas matas que ligam as duas comunidades”. Com a neutralização da invasão, os bandidos que tentavam a ocupação, segundo o comandante, fizeram da mata do Vidigal os disparos que atingiram pessoas na Rocinha.

O coronel afirmou, também, que uma outra tentativa de invasão foi frustrada pela polícia há uma semana. Há cerca de três meses foi reforçado o policiamento nas entradas da Rocinha. A Subsecretaria de Segurança Pública teve informações de que a quadrilha chefiada por Dudu da Rocinha estava se articulando para invadir e dominar o comércio de drogas local.

Renato Hottz criticou duramente as falhas no serviço de segurança nas fronteiras do país, que permite a entrada de armas de guerra no território brasileiro. “É preciso que haja um controle eficaz dos órgãos federais competentes”, afirmou Hottz. Segundo ele, somente no ano passado foram apreendidas no Estado do Rio de Janeiro cerca de 16 mil armas. A projeção para este ano é a de que o total deverá ultrapassar o montante de 21 mil armas apreendidas.

Hottz criticou, também, a falta de consciência dos usuários de drogas, que ajudam a financiar a compra de armas pelos traficantes. “O fuzil do qual foi disparado o tiro que matou a senhora na Avenida Niemayer foi comprado com o dinheiro dos viciados em drogas e entrou no Brasil e, posteriormente, no Rio de Janeiro, por causa da falta de combate ao tráfico de armas”, enfatizou o coronel.

Questionado pela imprensa sobre o fato de o BOPE não ter entrado na Rocinha durante o tiroteio, o comandante da PM afirmou: “A comunidade estava às escuras e seria muito arriscado para a população um confronto noturno com traficantes equipados com armas de guerra. Por isso, o BOPE foi acionado para conter os criminosos nas matas do Vidigal e evitou uma mortandade na Rocinha.”

Hottz afirmou ainda que a PM fechou por três horas as vias próximas à Rocinha e ao Vidigal, para evitar que inocentes fossem atingidos durante o confronto.