Robin Williams é ‘Tigre-de-Bengala’ na Broadway

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Publicado quarta-feira, 30 de março de 2011 as 12:28, por: cdb
O ator Robin Williams vai fazer sua estreia na Broadway

Robin Williams fez uma escolha arriscada, ou corajosa, em sua estreia na Broadway ao encarnar o fantasma de um tigre-de-bengala se esgueirando pelas ruas sangrentas de Bagdá e tentando extrair sentido dos humanos e da guerra.

Bengal Tiger at the Baghdad Zoo (O Tigre-de-Bengala e o Zoológico de Bagdá) estreia nesta quinta-feira e é arriscado porque, durante anos, a maioria das histórias com a guerra do Iraque como pano de fundo se mostrou impopular com o público norte-americano. Mas o ator e comediante acredita que o papel é uma escolha óbvia para ele e que a peça é um drama de valor que desafiará os frequentadores de teatro.

– As pessoas dizem ‘por quê?’ Porque é um texto extraordinário. Eu li e pensei ‘Vale a pena fazer isto’ –, disse.

Quando a cortina se ergue, o tigre de Williams está ereto em uma jaula, fazendo piadas sobre o absurdo da vida antes de ser provocado por um soldado dos EUA. O tigre arranca a mão do homem com uma mordida e é morto a tiros.

– Morrer no cativeiro em um zoológico de Bagdá, que droga de vida –, pondera ele diante dos risos da plateia.

Mas a peça, finalista do Prêmio Pulitzer no ano passado, em seguida se debruça sobre a brutalidade da guerra, e o fantasma do tigre toma as ruas da cidade devastada pelos combates com reflexões surpreendentes e acerbas sobre a natureza dos animais, da humanidade e da religião.

O Tigre de Bengala se passa nos primeiros dias da invasão norte-americana do Iraque em 2003, e personagens-chave como soldados dos EUA e um intérprete iraquiano são assombrados por atos que cometeram e a realidade hedionda do conflito armado.

Ao tentar explicar O Tigre de Bengala, Williams, 59 anos, relembrou seu trabalho off-Broadway em Esperando Godot, de Samuel Beckett, em 1988.

– Fala sobre a guerra, as consequências da guerra, fantasmas lidando com outras consequências, há tanta coisa, tem tantas camadas. Basicamente, faz ‘Godot’ parecer Amish, porque há tanta brutalidade ali e uma estranha viagem espiritual também.