Risco de guerra faz crescer desemprego nos EUA

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 16:00, por: cdb

Às vésperas da iminente guerra contra o Iraque, as empresas norte-americanas cortaram, em fevereiro, o maior número de postos de trabalho desde 2001. O Departamento do Trabalho informou que o número de vagas oferecidas pelas companhias norte-americanas caiu em 308 mil, exterminando o aumento de 185 mil postos registrado em janeiro. A taxa de desemprego voltou a subir para 5,8%, após ter caído para 5,7% em janeiro.

Mesmo assim, os trabalhadores que mantiveram-se na ativa viram seus ganhos salariais aumentarem 0,7%, o que correspondeu à maior alta em quase 16 anos. Os números surpreenderam os analistas Wall Street. O prognóstico consensual de economistas consultados em pesquisa conjunta da Dow Jones Newswires e CNBC era que houvesse aumento de 5 mil no número de vagas e taxa de desemprego de 5,8%.

Efeito da convocação não foi quantificado

A chefe de estatísticas do Departamento do Trabalho, Kathleen Utgoff, afirmou que os números refletem os amplos cortes realizados em várias áreas, incluindo o setor manufatureiro, de construção civil, serviços, varejo e transportes. Ela informou que o departamento não teve condições de quantificar o efeito da convocação de 150 mil reservistas pelo governo norte-americano para engrossarem as frentes de batalha no Golfo. O departamento atribuiu à indústria produtora de serviços grande parte da responsabilidade no enxugamento de postos. O setor cortou 204 mil vagas, após ter promovido um aumento de 166 mil postos em janeiro.

A indústria de comércio varejista cortou 92 mil trabalhadores, enquanto o setor de serviços diminuiu sua oferta de vagas em 86 mil. A indústria manufatureira diminuiu 53 mil vagas, enquanto a de construção, afetada pela queda da temperatura, enxugou os quadros em 48 mil. Apenas dois setores ampliaram suas vagas. O governo abriu 13 mil vagas e os postos nos setores de finanças, seguros e imobiliário cresceram em 3 mil.

Os números de janeiro, revisados

O departamento revisou suas estimativas de crescimento de vagas e ganho por hora de janeiro. O número de vagas foi revisado para 185 mil, da estimativa inicial de 143 mil. O ganho por hora foi revisado em baixa de um centavo,para US$ 14,97 em janeiro, ante a previsão anterior que era de US$ 14,98. As informações são da Dow Jones.