Risco Argentina permanece o mesmo apesar de novo empréstimo do FMI

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Publicado quarta-feira, 22 de agosto de 2001 as 19:07, por: cdb

Três agências internacionais classificadoras de risco disseram nesta quarta-feira que não têm planos de mudar os ratings que conferem à Argentina, alegando que os novos recursos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) são insuficientes para resolver os problemas do país.

Um novo empréstimo de 8 bilhões de dólares do FMI, segundo as instituições, não muda o fato de a Argentina estar empacada numa recessão de três anos, sua moeda (peso) estar atrelada ao dólar forte e seus políticos terem fracassado num plano de corte de gastos, às vésperas das eleições legislativas de outubro.

“Não está claro como este programa colocará a Argentina de volta no rumo de um crescimento sustentável, que seja rápido o suficiente para atrair fluxos líquidos de moeda estrangeira do setor privado”, disse Vincent Truglia, diretor-gerente da unidade de risco soberano da Moody’s.

Já a Standard & Poor’s manteve parte da esperança ao dizer que a Argentina agora está no caminho certo com o novo empréstimo.

“Washington está dando dinheiro novo. Isto é um sinal positivo”, disse Bruno Boccara, diretor do grupo de ratings soberanos da S&P.

Mais tarde, no entanto, a S&P divulgou um comunicado no qual afirma que a situação argentina pode se deteriorar ainda mais se os depósitos bancários continuarem a cair. A agência considerou “desafiadora” a implementação da política de déficit zero no país, principalmente às vésperas das eleições paralamentares de outubro próximo.

As três principais agências internacionais qualificam os bônus soberanos argentinos dentro da classe de dívida mais arriscada para os investidores: “B-” por Fitch e Standard & Poor’s, e “Caa1” pela Moody’s Investors Service.

As declarações das entidades servem como um alerta aos investidores de que o pacto com o FMI não mudou o motivo pelo qual os títulos da dívida argentinos são um alto risco.

PERSPECTIVA NEGATIVA

As três agências conferem uma perspectiva negativa para os bônus soberanos argentinos, o que significa que um rebaixamento no curto prazo é mais provável do que uma elevação.

Para Truglia, da Moody’s, o pacto com o Fundo não muda a perspectiva concedida pela agência, visto que o país ainda enfrenta problemas estruturais fundamentais em sua economia e Orçamento.