Rio entra na guerra ao terrorismo e contrata coronel envolvido com a ditadura

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Publicado segunda-feira, 24 de setembro de 2001 as 14:08, por: cdb

O secretário de Segurança do Rio, Josias Quintal, anunciou nesta segunda-feira a criação de uma unidade anti-terrorismo, a ser comandada pelo tenente-coronel PM Paulo Cesar Amêndola, a quem o Grupo Tortura Nunca Mais acusa de pertencer à máquina da repressão, em vigor durante os 20 anos da ditadura militar brasileira.

Segundo o secretário, “a formação da unidade tem por objetivo se antecipar a eventuais conseqüências causadas pelo conturbado cenário internacional”.

Quintal explicou que o comando irá trocar experiências e reunir o máximo de informações sobre o terrorismo, tais como identificação dos grupos, sua composição, ideologia, origem, modo de agir e área de atuação.

Quem é Paulo César Amêndola de Souza

Leia agora o texto integral do endereço:
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/Denuncias.asp?Codigo=19

“O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, após pesquisar nos 12 volumes do Projeto Brasil Nunca Mais, organizado pela Arquidiocese de São Paulo, e em outras fontes vem a público denunciar o Coronel PM Paulo César Amêndola de Souza, como membro dos órgãos de repressão no período de Ditadura Militar.

“O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ acredita ser importante enfatizar que o Projeto Brasil Nunca Mais, é o resultado da microfilmagem de todos os processos que se encontram no Superior Tribunal Militar, em Brasília, abrangendo o período de 1964 a 1978. Trata-se, portanto, de documentação oficial que não pode ser rotulada de facciosa.

“O nome de Paulo César Amêndola de Souza aparece em duas listas do Projeto Brasil Nunca Mais, como Capitão da PM atuando no Rio de Janeiro, em 1970.

Na primeira destas listas, a de “Elementos envolvidos em Diligências e Investigações”, à página 113 do Tomo 11, volume 3 “Os Funcionários”, seu nome é denunciado em dezembro de 1970, como Capitão da Polícia Militar do Rio de Janeiro e aparece no Processo N.º 1599, da 2ª Auditoria da Aeronáutica, da 1ª RMICJM, com Apelação no STM de n.º 39.295 e que consta de dois volumes (informações contidas à pagina 62 do Tomo 11, Volume 1 “A Pesquisa B.N.M.”). Este processo trata de réus acusados de pertencerem a VAR (Vanguarda Armada Revolucionária), no Rio de Janeiro, em 1970, e de integrarem seu grupo de ação (informações contidas à página 205 do Tomo ll, Volume 1 “A Pesquisa B.N.M.”).

“Na segunda lista, a de “Membros dos órgãos da Repressão”, à página 238 do Tomo 11, Volume 3 “Os Funcionários”, o nome de Paulo César Amêndola de Souza é denunciado também em dezembro de 1970 e aparece no mesmo Processo citado acima.

“Além destas informações que provam claramente a estreita ligação do Coronel Amêndola com os órgãos de repressão, temos depoimento do deputado estadual Carlos Minc de que, quando esteve preso no Rio de Janeiro, no inicio dos anos 70, sabia do envolvimento do referido Coronel PM com a repressão, sendo ele um dos seus elementos de confiança. O citado deputado estadual colocou-se à disposição das autoridades e do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ para reafirmar suas declarações já prestadas à grande imprensa.

“Em 07 de abril de 1993, estarrecido com a indicação do Coronel Paulo César Amêndola de Souza da Superintendência da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, o GTNM/RJ exigiu o afastamento do Coronel Amêndola do referido posto. O Coronel Amêndola ocupar um posto de confiança num Governo Municipal mancha e envergonha a Nação brasileira.

“Os Movimentos de Direitos Humanos no Brasil indignaram-se com a notícia da nomeação feita no dia 06 de abril de 1993, pelo Prefeito do Rio de Janeiro Dr. César Maia, do Coronel da reserva da PM Paulo César Amêndola de Souza para a Superintendência Executiva da Guarda Municipal.

“No dia 09 de fevereiro de 2001 foi nomeado, pelo Governador Antony Garotinho, para o cargo em comissão de Diretor Geral, símbolo DG, do Departamento Geral de Atividades Especiais, da Subsecretaria de Planejamento Estratégico, Ensino e Instrução, da Secretaria de Estado de Segurança Pública.”