Rice tentará na Europa minimizar caso de prisôes secretas

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Publicado terça-feira, 29 de novembro de 2005 as 12:32, por: cdb

A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, viaja na próxima semana à Europa, onde pretende afastar as acusações de que seu país manteve prisões secretas no continente. De acordo com o jornal The Washington Post, os EUA mantiveram instalações secretas para interrogar suspeitos de terrorismo em dois países europeus não identificados. Rice argumentará que europeus e norte-americanos estão juntos na luta contra um inimigo que não obedece às leis.

Em entrevista publicada na terça-feira pelo USA Today, Rice nem confirmou nem negou a existência das prisões secretas, mas defendeu a prática de realizar detenções antes que os crimes sejam cometidos. – Nunca travamos uma guerra como esta. Não se pode permitir que alguém cometa um crime antes que você o detenha. Porque, se eles cometem o crime, milhares de inocentes morrem, afirmou a secretária.

Ela reconheceu os erros dos EUA no Iraque, mas rejeitou a idéia de que com a queda de Saddam Hussein a região ficou menos estável. Ela também negou qualquer ambição política e disse que dentro de três anos pretende voltar à Universidade Stanford, onde já foi reitora. Rice passará pela Alemanha, pela Romênia e por Bruxelas, onde fica a sede da União Européia (UE).

A reportagem do Post deixou os europeus ainda mais preocupados com as táticas norte-americanas na “guerra ao terrorismo”, tema que já havia vindo à tona com o abuso contra presos em Abu Ghraib (Iraque) e com a manutenção de centenas de supostos militantes durante anos na base naval de Guantánamo, encravada em Cuba.

A reação inicial dos governos europeus foi não se manifestar sobre as novas acusações, aguardando esclarecimentos dos EUA. Mas Rice, que também visitará a Ucrânia, deve ser massacrada durante a viagem por perguntas sobre as supostas prisões clandestinas e por relatos de que a CIA usaria aeroportos de toda a Europa para o transporte de suspeitos. Um porta-voz do Departamento de Estado prometeu a resposta “mais completa e imediata que pudermos”.

Na segunda-feira, um comissário (ministro) da UE disse que qualquer país do bloco que mantiver prisões secretas poderá perder seu direito a voto no grupo e que Washington deve punir eventuais violações do direito internacional. A entidade nova-iorquina Human Rights Watch identifica uma das escalas de Rice, a Romênia, como um dos dois países onde possivelmente havia prisões secretas, junto com a Polônia. Ambos os governos negam tal afirmação.

A Alemanha, onde Rice fará sua primeira reunião oficial com a nova chanceler (primeira-ministra), Angela Merkel, também manifestou preocupação com o escândalo. O ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, cuja primeira visita oficial a Washington começa na segunda-feira, deve mencionar o assunto, segundo assessores.