Rice cobra garantias de Sharon enquanto anúncio da trégua é adiado

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Publicado domingo, 29 de junho de 2003 as 10:22, por: cdb

A conselheira de Segurança dos EUA, Condoleezza Rice, pediu neste domingo, garantias ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, para a aplicação do Mapa de Caminho, enquanto a ANP anunciava o adiamento do anúncio oficial da trégua de três meses do Hamas e da Jihad Islâmica.

Ariel Sharon apresentou a Rice os detalhes do acordo da retirada ordenada das tropas de Gaza e transferência do controle aos serviços de segurança palestinos, e prometeu que permitirá à ANP reconstruir o aeroporto da Faixa de Gaza.

Sharon, que se reuniu com Rice em Jerusalém, detalhou os passos que Israel considera para “aliviar” as restrições aos palestinos, entre eles a libertação de presos e a permissão para que a ANP reconstrua o aeroporto de Dahaniya, ao sul da Faixa de Gaza.

O aeroporto original, financiado por Alemanha e Espanha, foi destruído pelo Exército de Israel no início da Intifada. Rice se reuniu pouco antes com o ministro da Economia palestino, Salam Fayyad, e o chefe da equipe de Sharon, Dov Weisglass.

Ela se encontrou neste sábado à noite em Jericó com o primeiro-ministro palestino, Abu Mazen, que foi convidado à Casa Branca. Depois da reunião de quatro horas, Rice afirmou que as conversações foram “muito satisfatórias”.

A conselheira de Segurança falou com Abu Mazen sobre a aplicação do Mapa de Caminho e pediu ao primeiro-ministro que além da trégua conseguida pelos grupos armados palestinos, a ANP desmantele sua infra-estrutura, uma exigência dos EUA e de Israel.

Abu Mazen, acompanhado pelo ministro de Interior, Mohamed Dahlán, pediu liberdade para centenas presos palestinos detidos por Israel e explicou a situação na Cisjordânia, onde os serviços de segurança foram completamente desmantelados por Israel.

O primeiro-ministro palestino também mencionou a situação de ocupação dos territórios, a atividade dos colonos que continuam construindo assentamentos, só na Cisjordânia, foram 20 acampamentos nas últimas semanas, violando o Mapa de Caminho, e os assassinatos e incursões do Exército israelense nos territórios.

Por tudo isso, Abu Mazen insistiu que o firme apoio dos Estados Unidos ao Mapa de Caminho é crucial para que a estratégia de paz siga adiante.

Condoleezza Rice chega à região encarregada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de aplicar do Mapa de Caminho pelo menos dois pontos estipulados, a trégua e o acordo de retirada de Gaza.

No entanto, o anúncio oficial da trégua de três meses do Hamas e da Jihad Islâmica, foi adiado em 24 horas, segundo informou o ministro de Assuntos do Gabinete palestino, Yasser Abed Rabbo.

O ministro explicou que o adiamento se deve a problemas na redação final do anúncio. Fontes palestinas afirmam que o Hamas e a Jihad se negam a mencionar o Mapa de Caminho no documento final, como propõe o Al-Fatah.

A rádio do Exército israelense explica que ambas as organizações exigem que a palavra “Israel” também não apareça no texto e seja substituída por “o inimigo sionista”, por isso o anúncio oficial teria sido adiado.

Segundo as condições do acordo de trégua, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a Jihad Islâmica se comprometem a não realizar ataques contra alvos israelenses durante três meses, tanto nos territórios palestinos, como em Israel.

Em contrapartida, os grupos exigem que Israel acabe com os assassinatos seletivos e coloque em liberdade centenas de presos palestinos detidos ilegalmente.

O acordo de trégua foi rejeitado ontem pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, pela Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e pela Frente Democrática para a Libertação da Palestina (FDLP), que desde o início descartaram o Mapa de Caminho.

O anúncio oficial deve ser feito simultaneamente nesta segunda-feira, em Ramala, no Cairo e na Faixa de Gaza.