Rice aproxima EUA e Europa, mas vê fantasma de crise nuclear

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Publicado quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005 as 16:43, por: cdb

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, encerrou a viagem à Europa na quinta-feira depois de restaurar relações transatlânticas dos EUA, mas diante do espectro de crises nucleares na Coréia do Norte e no Irã.

Quando Rice concluía a viagem de dez dias com um encontro com autoridades da União Européia em Luxemburgo, a Coréia do Norte anunciou pela primeira vez na história que possui armas nucleares e que está se retirando das negociações entre seis países sobre seu programa nuclear.

A declaração de Pyongyang veio depois de outra ameaçadora feita pelo presidente do Irã, Mohammad Khatami, na quarta-feira. Ele disse que nem o governo atual nem nenhum governo futuro do país vão renunciar à tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio, que pode ser usado para fabricar uma bomba.

– O recado é o mesmo para os dois: desistam das armas nucleares e a vida será diferente – disse Rice.

O ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, cujo país detém a presidência rotativa da UE, disse que os europeus vão trabalhar para evitar que qualquer país adquira armas nucleares.

– Nós, da União Européia, queremos evitar que o Irã tenha uma bomba nuclear. Isso é perigoso para a região. Negociamos com o Irã para evitar que isso ocorra, e é muito positivo que haja cooperação do lado americano – afirmou ele.

O tom positivo em várias questões entre EUA e UE demonstram a determinação de começar de novo, depois das fortes desavenças em relação ao Iraque e ao Oriente Médio, incluindo a questão iraniana.

A viagem de Rice lançou as bases para a importante visita do presidente George W. Bush à sede da União Européia no dia 22 de fevereiro. Será a primeira visita de um presidente dos EUA à sede do bloco.

Os dois lados concordaram em trabalhar juntos, dentro do chamado Quarteto, para apoiar os novos esforços de paz entre israelenses e palestinos. Rice também fez comentários positivos sobre a atuação européia no Irã. E ela e Asselborn minimizaram as discordâncias dos dois lados sobre a suspensão do embargo europeu de venda de armas à China.

A secretária desacreditou as sugestões de jornalistas de que os EUA oferecem tratamentos diferentes à questão nuclear do Irã, da Coréia do Norte e do Paquistão. Ela afirmou que o Paquistão, aliado dos EUA, teve avanços na segurança, no combate ao terrorismo, em seus sistema educacional e na tentativa de reaproximação com a Índia.

Ela também negou as insinuações de que Washington estava transmitindo a mensagem de que o Irã precisa de uma arma nuclear para receber um tratamento melhor por parte dos EUA.

– O recado para os iranianos é: vocês podem ter uma trajetória diferente na comunidade internacional se estiverem dispostos a não seguir a rota da arma nuclear, e a desmantelar qualquer atividade que possa se dedicar a construir uma arma nuclear sob o disfarce de um programa civil de energia nuclear – afirmou Rice.

A declaração de Khatami pode significar um golpe para a UE, que está oferecendo benefícios comerciais e políticos se o Irã abandonar o enriquecimento de urânio. Mas, para o chefe de Relações Exteriores do bloco, Javier Solana, a situação não é tão grave. “Há muitas coisas a serem faladas… O Irã tem o direito de possuir energia nuclear para fins pacíficos”, disse ele à Reuters.

– Khatami disse que ‘temos o direito de possuir o sistema para enriquecer urânio para fins pacíficos’. Ele não foi além disso. O que temos que evitar é que essas coisas sejam usadas para fins não pacíficos.