Retração no consumo faz inflação baixar

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Publicado quarta-feira, 5 de setembro de 2001 as 17:14, por: cdb

O Índice de Preços ao Consumidor na capital paulista medido pela Fipe, um dos principais indicadores do país, registrou inflação de 1,15 por cento em agosto. Ainda segundo análise da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo, nesta quarta-feira, o nível de consumo também deve ter diminuído, embora esta constatação somente será possível após o fechamento de pesquisa voltada para esta questão. Um dos pontos onde o consumo diminuiu e que pesa especificamente sobre os índices de preços é a energia elétrica, com redução de cerca de 20 por cento.

O valor está abaixo da inflação registrada pela Fipe em julho, que chegara a 1,21 por cento – o maior índice mensal até agora este ano. Como ocorreu em todas as prévias durante o mês, o avanço dos preços foi puxado pela alta das tarifas públicas, especialmente eletricidade, e dos produtos que têm os preços controlados pelo governo, como gasolina.

Embora acima das projeções feitas no início do ano, a inflação em São Paulo durante agosto ficou abaixo das projeções recentes e está desacelerando. Na primeira quadrissemana do mês, o IPC atingiu seu pico no ano, 1,55 por cento. Na segunda, o índice cedeu para 1,48 por cento e, na terceira, 1,38 por cento.

O maior avanço inflacionário foi registrado novamente no setor de Habitação, cujos preços subiram 2,34 por cento, influenciados principalmente pelo aumento nas tarifas de eletricidade e telefonia, e causaram um impacto de 0,762 ponto percentual no índice geral do mês.

Com o fim das liquidações, Vestuário ficou em segundo lugar entre as maiores elevações de preços, com um aumento de 1,25 por cento. Em seguida vieram as Despesas Pessoais, que encareceram 1,10 por cento no mês.

O item Transportes, que pressionou o índice nos últimos meses, avançou 0,51 por cento no mês fechado de agosto. Já as despesas com Saúde subiram 0,38 por cento, enquanto os gastos com alimentação cresceram 0,31 por cento e, com Educação, 0,23 por cento.

Nenhum setor registrou deflação no mês, mas todos sofreram desaceleração no crescimento dos preços em relação à quadrissemana anterior.

Para o ano, a fundação acredita que o IPC acumulará alta de 5,5 por cento.

A Fipe calcula o IPC a partir de uma amostragem entre famílias com renda entre um e 20 salários mínimos residentes no município de São Paulo.