Reposição hormonal poderia prevenir o mal de Alzheimer

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Publicado domingo, 10 de novembro de 2002 as 23:40, por: cdb

Um novo estudo aponta mais benefícios proporcionados pela terapia de reposição hormonal (TRH) em mulheres na pós-menopausa, embora somente a longo prazo. Publicado esta semana no Journal of the American Medical Association, a pesquisa diz que, quando usada por 10 anos ou mais, a TRH pode prevenir o mal de Alzheimer.

Recentemente, a TRH esteve na berlinda, acusada de ser menos segura e útil do que os cientistas pensavam. Com o novo estudo que aponta para a prevenção do mal de Alzheimer, o debate volta a esquentar.

“Nossas descobertas, juntamente com outro trabalho recente, sugerem que a terapia pode ser eficiente para a prevenção primária do mal de Alzheimer, se não para seu tratamento”, disse em comunicado a Veteran’s Administration, entidade que teve uma equipe trabalhando no estudo.

A TRH, uma combinação de estrogênio e progesterona, é popular entre milhões de mulheres que tentam aliviar os sintomas da menopausa, incluindo as ondas de calor e as alterações de humor. Também foi atribuída à TRH a capacidade de reduzir o risco de doença coronariana, de manter as mulheres sentindo-se jovens e de prevenir a osteoporose.

Mas um estudo publicado em julho lançou dúvidas sobre a eficácia do tratamento. A TRH foi acusada de aumentar o risco de doença coronariana e de câncer de mama quando usada por mais de cinco anos. O governo dos Estados Unidos aumentou os rótulos de alerta nas drogas avaliadas no estudo – PremPro e Premarin.

Na pesquisa divulgada esta semana, a equipe do Dr. Peter Zandi, da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, observou as taxas de mal de Alzheimer entre 1995 e 2000 em 1.889 mulheres, todas idosas, em Utah. As mulheres que fizeram reposição hormonal por pelo menos uma década mostraram-se 2,5 vezes menos propensas a desenvolver Alzheimer do que aquelas que nunca fizeram TRH.

O estudo, custeado pelo Instituto Nacional de Saúde, incluiu equipes da Veteran’s Administration, do Puget Sound Health Care System, em Washington, da Universidade Duke, na Carolina do Norte, da Universidade de Washington e do Banner Health System, em Phoenix, Arizona.

Suplementos de cálcio, ratos e demência
O estudo também acompanhou o uso de suplementos de cálcio e multivitamínicos e descobriu que as mulheres que os usaram não reduziram seu risco de desenvolver Alzheimer.

“Descobrimos que, em contraste com o uso mais cedo na vida, a exposição dentro de um prazo de 10 anos do início do Alzheimer rendeu pouco ou nenhum benefício aparente”, escreveram pesquisadores da Veteran’s Administration. Eles teorizam que o estrogênio poderia proteger contra a doença mental somente antes que tenham ocorrido grandes danos ao cérebro.

“Os dados atuais são insuficientes para recomendar a TRH na prevenção do mal de Alzheimer”, disseram em comunicado a Dra. Susan Resnick, do National Institute on Aging, em Baltimore, e o Dr. Victor Henderson, da Universidade de Ciências Médicas do Arkansas, em Little Rock.

“Os resultados… indicam que ex-usuárias da TRH têm maior redução da incidência de mal de Alzheimer do que as atuais”, acrescentaram. “Entre as atuais usuárias, somente aquelas que fazem a terapia há muito tempo (mais de 10 anos) parecem ter sido beneficiadas”.

Um estudo com fêmeas de ratos, publicado esta semana, pode trazer outros esclarecimentos sobre o assunto. Uma equipe da Universidade de Pittsburgh removeu os ovários de cobaias, induzindo sua menopausa, e lhes deu um pouco de estrogênio. Os ratos que receberam o hormônio saíram-se melhor em um labirinto do que aqueles que não o receberam, segundo relatório publicado na edição de novembro da revista Hormones and Behavior.

Alguns dos ratos tiveram alguns neurônios removidos e não obtiveram benefícios com o estrogênio.

“O estudo sugere o motivo por que iniciar a reposição de estrogênio depois que a demência já se desenvolveu é inútil. Para o estrogênio funcionar, os neurônios devem estar vivos e funcionando”, escreveu a Dra. Sarah Berga, professora