Renúncia de militar israelense enfraquece posição de Olmert

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Publicado quarta-feira, 17 de janeiro de 2007 as 13:10, por: cdb

Chefe do Estado Maior de Israel, o general Dan Halutz renunciou nesta quarta-feira em meio a investigações sobre os ataques de Israel ao sul do Líbano no ano passado. Em um comunicado, as Forças Armadas israelenses afirmaram que Halutz enviou sua carta de renúncia ao primeiro-ministro Ehud Olmert e ao ministro de Defesa, Amir Peretz. A decisão fragiliza no cargo o primeiro-ministro Ehud Olmert, que sofre um profundo desgaste em sua imagem de homem público devido a um escândalo na área financeira.

Segundo esse comunicado oficial, Halutz deixou claro que era “sua responsabilidade como comandante e como chefe das Forças Armadas o que o obrigava a permanecer em serviço enquanto se desenrolavam as investigações e se estabelecia um plano de trabalho para 2007 orientado segundo as lições aprendidas”.

“Uma vez que esse processo foi encerrado, ele pediu sua renúncia de maneira imediata”, afirma o comunicado.

Pesadas críticas

Desde o final do conflito com o grupo militante Hezbollah, que durou 34 dias entre julho e agosto de 2006, Halutz vinha enfrentando crescente pressão para renunciar. Os confrontos destruíram boa parte da infra-estrutura do Líbano. Diversos inquéritos internos estão investigando as ações do governo israelense e das Forças Armadas durante o conflito.

Halutz foi criticado pelos danos à infra-estrutura libanesa causados pelos ataques. As maiores críticas à sua atuação, no entanto, são pelo fato de Israel não ter atingido seus principais objetivos com o conflito, que eram vencer o Hezbollah e resgatar dois soldados israelenses capturados pelo grupo militante – episódio que provocou os ataques de Israel. Olmert e Peretz também vêm sofrendo críticas por decisões tomadas durante o conflito e logo depois de seu término.

O Exército de Israel perdeu 116 soldados durante o conflito no sul do Líbano. Os mais de 4 mil ataques realizados pelo Hezbollah também mataram 43 civis israelenses. Estima-se que mais de mil libaneses, a maioria civis, tenham morrido no conflito.

Escândalo

A renúncia do chefe das Forças Armadas de Israel devido à má atuação na guerra do Líbano, no ano passado, é mais um revés para o primeiro-ministro Ehud Olmert, já enfraquecido por um escândalo político. A imprensa israelense descreveu nesta quarta-feira a decisão do tenente-general Dan Halutz como um terremoto e especulou se isso provocará um efeito dominó que derrubará Olmert e o ministro da Defesa, Amir Peretz.

A renúncia do ex-piloto foi anunciada horas depois do promotor-geral de Israel ter ordenado uma investigação criminal sobre o papel de Olmert na privatização do segundo maior banco do país em 2005, quando ele ministro das Finanças.

– A investigação sobre Olmert e a renúncia de Halutz após a guerra do Líbano poderão abalar as fundações do governo – disse o analista político Hanan Crystal à Rádio Israel.

Olmert nega qualquer ação errada na venda do Banco Leumi.