Renúncia de Jader é sua única saída

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Publicado sábado, 4 de agosto de 2001 as 13:03, por: cdb

A nota técnica da 5ª Câmara do Ministério Público confirmando suposto envolvimento de Jader Barbalho em desvios de recursos do Banpará complicou a situação política do presidente licenciado do Senado. Alguns senadores dizem que Jader só tem dois caminhos: a renúncia ao mandato ou a cassação. Nenhum crê que Jader retorne à presidência da Casa.

O senador Romeu Tuma (PFL-SP), que coordena a comissão do Conselho de Ética criada para analisar se Jader quebrou o decoro parlamentar, pediu ontem cópia da nota da 5ª Câmara ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.

“A nota é um fator de agravamento da situação do senador, porque diz expressamente que há indícios veementes da participação dele no desvio. Suponho que os três procuradores que a assinam não estejam sendo levianos”, disse Jefferson Péres (PDT-AM).

A comissão de três senadores -Péres, Tuma e João Alberto (PMDB-MA), o único aliado de Jader- começa a examinar documentos na segunda-feira. Na terça será a primeira reunião, para definição de procedimentos. Jader deverá ser ouvido ao final.

A comissão tem prazo de 30 dias para submeter ao conselho parecer propondo abertura de processo de cassação ou arquivamento das denúncias. Uma delas é de que Jader teria pedido ao deputado estadual Mário Frota (PDT- AM) “”pedágio” de US$ 5 milhões para liberar financiamento da extinta Sudam.

Tuma requisitou da revista “”IstoÉ” a fita com a gravação da suposta conversa telefônica na qual Frota contaria ao empresário David Benayon o pedido de Jader. A fita deverá ser encaminhada pela revista na segunda-feira.

Péres vai sugerir que Frota seja ouvido na próxima semana. E que na semana seguinte a comissão ouça Nivaldo Marinho, ex-assessor de Frota, acusado pelo deputado de ter imitado sua voz no telefonema a Benayon.

Em discurso, Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou pressa de Brindeiro no indiciamento de Jader e, do STF, no pedido de licença para processar o senador.