Rentabilidade de aplicações deve superar inflação em março

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Publicado segunda-feira, 17 de março de 2003 as 11:39, por: cdb

A rentabilidade das aplicações de renda fixa, remuneradas por taxas de juro, deve voltar a rodar com margem de ganho real, acima da variação da inflação, a partir deste mês. Acenam para essa perspectiva os sinais de acentuada desaceleração da inflação apontada por todos os indicadores de comportamento de preços, desde os que medem a evolução de preços ao consumidor até a de preços no atacado.

A temporada não seria apenas de retomada do juro positivo nas aplicações financeiras. Mais que isso, a margem de ganho real tende a ser ampliada pela combinação de juros nominais elevados com uma queda mais acelerada da inflação. A diferença entre o juro nominal e a inflação corresponde ao juro positivo do investidor. A margem poderá ser maior ou menor de acordo com a inflação adotada para o cálculo, assim como ocorreram com as perdas em fevereiro.

Na corrida contra a inflação, a caderneta de poupança é a que tem levado maior desvantagem. Em janeiro, a caderneta rendeu 0,99%, nominalmente, 1,20 ponto porcentual abaixo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fipe, que registrou alta de 2,19%.

Embora em fevereiro o rendimento nominal da poupança tenha recuado ligeiramente, para 0,91%, o juro negativo, descontado o IPC de 1,61% nesse mês, foi menor, caindo para 0,7 ponto porcentual. As perdas em janeiro e fevereiro ficam ampliadas se a referência for os índices que medem a variação de preços no atacado, como o IGP e o IGP-M, ambos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O consultor Paulo Possas, da Eagle Capital, comenta que os investimentos com rentabilidade atrelada ao IGP-M perderam a atratividade sustentada nos últimos meses de 2002. Na época, com o salto da inflação medida pelo IGP-M, alguns desses fundos chegaram a render mais de 5% em apenas um mês. Segundo Possas, no momento os investimentos mais interessantes são aqueles atrelados aos juros do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), como os fundos DI.

O sócio da ARX Capital José Alberto Tovar Barreto de Melo também considera os fundos DI os mais atraentes. Como opção, ele indica os fundos multimercados para quem mira um rendimento com maior folga em relação à inflação, sobretudo se esta teimar em não recuar.

Nos multimercados, os gestores têm maior flexibilidade para tirar proveito das melhores oportunidades do mercado. A caderneta de poupança, a opção menos rentável entre as aplicações de renda fixa, poderá permanecer com o rendimento negativo, se comparado com índices de inflação no atacado.

Para Tovar e Possas, os investimentos em fundos de renda fixa prefixados e em ações ainda embutem elevado risco, pelo menos até que ocorra uma definição no cenário de guerra entre EUA e Iraque. Segundo Possas, quando o quadro de conflito clarear, o investidor poderá reavaliar suas aplicações.

Ele sugere que os recursos permaneçam em aplicação de fácil acesso, como os fundos DI. Tovar acredita que, para aqueles que detêm bom volume de recursos disponível para investimento, uma aposta em ações é razoável e pode apresentar boa surpresa no longo prazo.