Renovar Forças Armadas vai custar até R$ 13 bilhões

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Publicado domingo, 19 de janeiro de 2003 as 12:00, por: cdb

O Brasil vai ter de investir até 2007 recursos estimados entre US$ 10 bilhões e US$ 13 bilhões nos programas de reequipamento das Forças Armadas. Os contratos de fornecimento vão garantir apenas a prontidão e a capacidade de resposta do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

A cifra impressionante consta do relatório reservado sobre a área de Defesa entregue em 8 de novembro pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, durante um jantar a que esteve presente o atual secretário-chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), na época líder do governo na Câmara. Lula não se surpreendeu com as informações. Comentou na ocasião que os números conferem com o apurado pela Comissão do Plano de Governo do PT.

A prioridade é para a modernização do material utilizado pelas unidades da Amazônia. Não é pouco. Os poucos blindados leves sobre rodas do tipo Cascavel e Urutu atuam na região sem acessórios para visão noturna. A Marinha limita-se a operar com três barcos fluviais, embora tenha deslocado toda uma tropa de fuzileiros navais.

A Aeronáutica tem a situação virtualmente resolvida com a entrada em uso da rede eletrônica do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) associada à compra de oito aviões eletrônicos, cinco de alerta avançado e três de sensoriamento. O braço armado, 76 turboélices Supertucano de ataque e treinamento começarão a ser entregues no segundo semestre.

Os gastos de médio prazo com o reequipamento militar equivalem a cerca de 50% do orçamento do Ministério da Defesa determinado para este ano, fixado em R$ 27,9 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 22 bilhões são destinados ao atendimento de salários, aposentadorias e pensões.

Plano mínimo
Os setores técnicos dos três Comandos que integram o Ministério da Defesa prepararam um plano mínimo de prioridades para a primeira fase do governo Lula. Baseados em estudos mais abrangentes, elaborados nos últimos dois anos a respeito das necessidades básicas de cada área, os relatórios devem definir um projeto de emergência para as Forças Armadas.

O novo governo acredita que antes de começar a comprar “as Forças devem aprender a gastar, corrigindo distorções de difícil compreensão”, de acordo com a análise setorial de circulação limitada da Comissão do Plano de Governo a que o Estado teve acesso.

Equívocos
O documento lista algumas escolhas que considera equivocadas, como a aquisição pelo Comando do Exército de pelo menos 40 lançadores de mísseis antiaéreos russos SA-18, de porte pessoal. Os especialistas do PT questionam o fato de a tecnologia desse tipo de arma já estar “plenamente dominada” por empresa brasileira do setor, citando especificamente a Mectron, de São José dos Campos.

Há mais um exemplo, fora do relatório da comissão, na forma de 84 toneladas de aço dos dois protótipos do tanque de batalha EE-T1 Osório/Al Fahd prontos para entrar em ação, que quase viraram sucata, vendida a peso. Na segunda metade da década de 80 a extinta Engesa investiu US$ 100 milhões no desenvolvimento do EE-T1 projetado para vencer uma licitação da Arábia Saudita envolvendo 702 tanques com canhão 120 milímetros a serem fornecidos em dois lotes de 351 unidades. Um contrato estonteante de US$ 7,2 bilhões.

Em 1989, encerradas as provas técnicas o Al Fahd (versão saudita do Osório) saiu do deserto com a melhor pontuação. A encomenda, no entanto, nunca foi formalizada.

Pressionado pelos Estados Unidos, que preparavam a Guerra do Golfo, o governo de Riad optou pelo segundo colocado, o tanque M1A1 Abrams americano.

A Engesa não suportou a perda e faliu. Os dois protótipos foram recolhidos à antiga sede do grupo em Barueri. O patrimônio tecnológico foi entregue à Imbel, agência governamental para o setor. Pouco tempo depois o Brasil comprou 87 velhos tanques Leopard-1 alemães e alugou 91 M-60A3 americanos, ambos projetos com 40 anos. Em nenhum momento cogitou-se da possibilid