Renato Loureiro elege o fuxico para pontuar coleção artesanal

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 25 de janeiro de 2005 as 17:47, por: cdb

O estilista mineiro Renato Loureiro explorou as possibilidades do tradicional fuxico em seu desfile de inverno, nesta terça-feira, na São Paulo Fashion Week, recriando seus diversos formatos e tamanhos numa coleção que misturava toques barrocos e artesanais.

O barroco trouxe as mangas bufantes de blusas e casaquinhos, as peças com listras tramadas, as golas canoa, as curvas generosas dos recortes e a profusão de detalhes. Aí é que entrou o toque artesanal, com bordados e aplicações de fuxico que formavam desenhos, vinham presos em crochê ou se transformavam em tramas com o próprio tecido da peça.

Um dos expoentes do grupo mineiro de moda, Loureiro exibiu muitas saias evasê, algumas plissadas, e vestidos longos acompanhados por botas de salto alto e bico fino coloridas, com produções para valorizar uma silhueta feminina.

O Japão, uma de suas influências recorrentes, apareceu sutil dessa vez, com faixas largas e acinturadas ao estilo dos quimonos, que definiam o contorno do corpo.

O primeiro look era um tomara-que-caia com grandes listras horizontais em preto, cinza, roxo, marrom e laranja. Como acessório, um grande colar de fuxicos de palha prata feito pela designer Lourdinha Oliveira.

Aos poucos, as cores dessas listras se esparramaram para looks monocromáticos. Surgiu, então, uma saia rodada com blusa de chiffon de manga bufante roxa, com tecido tramado, e outra versão em laranja total.

Seguiram-se peças de patchwork, com cortes retalhados e mix de fios de tweed, georgette e tricô. Aos poucos, os tecidos foram ganhando um tom envelhecido, mantendo um diálogo entre o marrom, o laranja e o roxo, que reapareceram em composições de lã, seda e algodão.

No centro do cenário, escadas dispostas de forma irregular serviam de “estacionamento” para as modelos, que se posicionavam estrategicamente registrando a cartela de cores, a modelagem das peças e a evolução do desfile.

O jogo entre peças pesadas de lã e outras mais leves, como a seda e o chiffon, deram ar contemporâneo às produções, uma mistura que, passada a semana de moda, mostra-se infalível como receita do que será chique no próximo inverno.