Relatório sobre massacre derruba governo holandês

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Publicado terça-feira, 16 de abril de 2002 as 16:30, por: cdb

O primeiro-ministro da Holanda, Wim Kok, e seu governo apresentaram sua renúncia, nesta terça-feira, devido a uma crise causada por um relatório sobre a queda do enclave muçulmano-bósnio de Srebrenica, que estava sob proteção de tropas holandesas da ONU, levando a um massacre, em 1995. O relatório responsabiliza em parte o governo holandês e as Nações Unidas por não terem conseguido proteger a população muçulmana das atrocidades cometidas por forças sérvio-bósnias na região, declarada uma “zona de segurança”.

O anúncio da renúncia foi feito depois de uma reunião de Kok com os 15 membros de seu gabinete ministerial, numa sessão especial para discutir as conclusões do relatório, divulgadas na semana passada pelo Instituto Holandês para a Documentação da Guerra. O relatório – preparado depois de quase seis anos de pesquisa – criticou o governo por ter enviado soldados holandeses para uma zona perigosa sem um mandato adequado ou as armas necessárias para defender cerca de 30 mil refugiados, que haviam se abrigado na base holandesa em busca de proteção.

As Forças Armadas da Holanda haviam sido encarregadas de operações de manutenção da paz na região, onde forças sérvio-bósnias atacaram e chacinaram pelo menos 7.500 homens e meninos muçulmanos, em uma semana. A renúncia do gabinete ocorreu a menos de um mês da realização de eleições gerais na Holanda.