Relatório iraquiano estabelece novo conflito com Washington

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Publicado domingo, 8 de dezembro de 2002 as 23:37, por: cdb

No último sábado, o Iraque entregou uma declaração de 12 mil páginas sobre armas proibidas para a ONU, cumprindo o prazo determinado pelo Conselho de Segurança com mais de 24 horas de antecedência.

Autoridades disseram que os documentos confirmam, contrariando as alegações britânicas e americanas, que o governo de Saddam Hussein não teve armas de destruição em massa e não tem nenhum programa atual par desenvolvê-las.

Saddam também escolheu o último sábado para fazer uma declaração ao Kuwait, pedindo desculpas a Deus caso o Iraque tenha, inconscientemente, ferido o reino deserto com sua invasão em 1990. Mas ele uniu o pedido de desculpa com um apelo aos militantes islâmicos do país – um grupo diverso com alguns antigos laços com a Al-Qaeda – para que se aliem a ele na luta contra “os exércitos infiéis de ocupação”, significando os EUA, que estariam preparando uma invasão no Iraque através do Kuwait.

Na noite de sábado, em Washington, o governo Bush preparou a CIA e os laboratórios nacionais para analisarem o relatório assim que obtiverem uma cópia. Ressaltando a urgência da tarefa, eles esperam comparar as informações com relatórios de inteligência sobe os antigos projetos de armas de Saddam antes da expulsão dos inspetores em 1998, e algumas informações – parte dela aparentemente obtida através de desertores – sobre os programas desenvolvidos desde então.

Em uma coletiva de imprensa, o oficial iraquiano responsável pela preparação da declaração, o major-general Hussam Muhammad Amin, disse que os documentos “verificam” a posição tomada pelo país desde que os EUA e a Grã-Bretanha acusaram Bagdá de continuar a desenvolver armas químicas, nucleares ou biológicas. O Iraque afirma que abandonou todos esses programas e cumpriu as exigências de desarmamento impostas ao país.

No novo relatório, afirmou Amin, “Nós declaramos que o Iraque não teve nenhuma arma de destruição em massa”. Para enfatizar sua posição, ele pediu que os repórteres reunidos olhassem os documentos na Universidade de Bagdá. Segundo Amin, Saddam ordenou que seus oficiais fossem “justos e francos” em sua declaração, “e isso significa que quando dizemos que não temos armas de destruição em massa, nós estamos falando a verdade”.

O relatório iraquiano deve estabelecer um confronto ainda mais crítico entre os EUA e o Iraque, com a bola agora efetivamente no campo americano.