Relatório do BC prevê crescimento em 4%

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Publicado quinta-feira, 30 de março de 2006 as 12:42, por: cdb

Em seu primeiro relatório de inflação trimestral do ano, o Banco Central manteve a projeção de crescimento de 4% para 2006 e traçou um cenário bastante favorável para os preços, mas voltou a reforçar a importância de manter a cautela na política monetária. Para este ano, a projeção para a inflação, sob um cenário de referência, foi reduzida de 3,8% para 3,7% na comparação com o último relatório, divulgado em dezembro.

Para 2007, o prognóstico para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi elevado de 3,6% para 3,9%. Ambas as estimativas, contudo, permanecem bem abaixo do centro da meta do governo, de 4,5%. “A trajetória esperada para os preços ao consumidor é de convergência para a meta, em linha com a continuidade do processo de flexibilização da política monetária iniciada na segunda metade de 2005”, afirmou o BC no relátorio, divulgado nesta quinta-feira.

O cenário de referência leva em conta uma Selic estável em 16,50 por cento e um câmbio próximo ao valor de 2,15 reais por dólar durante todo o horizonte de previsão. Considerando prognósticos do mercado para os juros e o câmbio, o BC disse que a projeção para a inflação é de 4,6% este ano e de 5,4% em 2007, acima do centro da meta.

– Na comparação com o cenário de referência, os valores mais elevados devem-se às expectativas dos analistas de redução na taxa Selic e de depreciação nominal do câmbio ao longo do horizonte de projeção – justificou o BC.

Emprego e renda

A autoridade monetária destacou que a atividade econômica será impulsionada nos próximos meses pelo crescimento do emprego e da renda e pela queda dos juros, além da elevação do salário mínimo e dos maiores gastos do governo. As perspectivas favoráveis deverão catalisar a aceleração dos investimentos, previu o BC, o que reduz eventuais riscos de descasamento entre demanda e oferta.

“Esse cenário (de crescimento) deverá se materializar dentro de um quadro ainda mais benigno do que o observado em 2005 no que diz respeito à evolução dos preços”, concluiu o BC ao reafirmar sua projeção de crescimento de 4%. Ao comentar os riscos ao cenário econômico, a autoridade disse que “tanto o cenário interno quando o cenário externo permanecem favoráveis”.

O relatório destaca, no entanto, a piora nas condições de liquidez no mercado internacional e afirma que, internamente, dado os cortes sucessivos já feitos na Selic, aumentaram as incertezas sobre os efeitos que reduções adicionais na taxa terão sobre a atividade.

“Tendo em vista tais incertezas, que além de significativas são indissociáveis dos cenários que orientam as decisões sobre a taxa de juros básica, a ação cautelosa da política monetária continuará sendo fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas”, disse o BC.

Segundo a economista Tatiana Pinheiro, economista do ABN Amro, o discurso reforça a percepção de que o BC deverá manter o ritmo de cortes de 0,75 ponto, embora os juros praticados no país ainda sejam os maiores do mundo.

– O relatório indica uma coisa que é básica, a ação da autoridade monetária tem de ser gradual. Como a Selic já está em um nível historicamente baixo, a gente está entrando em uma zona que daqui a pouco será de experimento, de sintonia fina, o que requer mais cautela – disse ela a jornalistas.