Relatório aponta Brasil como líder mundial de uso de emagrecedores

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Publicado quinta-feira, 1 de março de 2007 as 18:37, por: cdb

O Brasil é líder mundial de uso de medicamentos para emagrecer – os chamados anorexígenos – por habitante. Segundo o Relatório Anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, em 2005, 98,6% do fenproporex e 89,5% da anfepramona, duas das substâncias inibidoras de apetite mais utilizadas em todo o mundo, foram produzidas no Brasil, e a maior parte foi consumida no próprio país.

De acordo com o documento, apresentado nesta quinta-feira no Rio, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), depois do Brasil, as maiores taxas de consumo de tais medicamentos foram verificadas na Argentina, na Coréia e nos Estados Unidos.

O secretário nacional Antidrogas, Paulo Roberto Uchôa, disse que, em 2001, esse tipo de medicamento já era consumido por 2,3% da população brasileira. Em 2005, os anorexígenos já eram consumidos por 3,2% o que, segundo ele, representa um aumento “consistente”.

Para controlar e monitorar a prescrição de tal tipo de droga em todo o país, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai lançar, até o início de abril, o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. O diretor adjunto da Anvisa, Norberto Rech, explicou que, pelo novo sistema, os pontos de venda, como farmácias e drogarias, vão ter que cadastrar todas as informações da receita (médico que prescreveu, usuário, quantidade etc), formando um banco de dados único para identificar o consumo abusivo desses medicamentos.

Rech anunciou que, ainda neste mês, deverá ser lançada resolução modificando o receituário para prescrição de anorexígenos. O assunto foi tema de uma consulta pública no fim do ano passado. Atualmente, é exigida a receita do tipo B, cuja impressão gráfica é de responsabilidade do próprio médico. Com a modificação, será exigida a receita do tipo A. Nesse caso, o prescritor terá que retirar o receituário na Vigilância Sanitária do estado, identificando cada folha diante da autoridade sanitária, explicou.

– Isso evita, com toda a certeza, por exemplo, a fraude em relação ao prescritor, carimbo e assinatura -, afirmou o diretor da Anvisa.

De acordo com o relatório, o uso abusivo de anorexígenos pode resultar em dependência química, estado de pânico, agressividade, comportamento violento e morte.