Relatório afirma que Irã tenta obter bomba nuclear

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Publicado quarta-feira, 4 de janeiro de 2006 as 10:42, por: cdb

O Irã está secretamente tentando obter tecnologia e conhecimentos necessários para construir uma arma nuclear, de acordo com um relatório de inteligência que vazou e ameça aprofundar a discórdia com o Ocidente devido às intenções nucleares do país. Os planos de compras nucleares de Teerã vão da Europa à Coréia do Norte, passando pelas antigas repúblicas soviéticas, disse o jornal britânico Guardian, citando um relatório de uma agência de inteligência britânica não-especificada.

O relatório de 55 páginas, com data de 1o. de julho de 2005, tem base em material coletado nas agências da França, da Grã-Bretanha e da Bélgica e foi usado para informar ministros de governos europeus, de acordo com o jornal. O Irã e o Ocidente continuam presos em um impasse sobre o programa nuclear de Teerã. Os Estados Unidos e a União Européia (UE) temem que o programa nuclear civil do Irã seja uma cobertura para a fabricação de armas nucleares, mas o país afirma que precisa de tecnologia nuclear para gerar eletricidade.

O relatório de inteligência que vazou afirma que o Irã tem um programa avançado para adquirir conhecimento, treinamento e equipamentos nucleares. Também afirma que Síria, Paquistão e Coréia do Norte são parte de um mercado negro global de peças ilíticas de armas. O documento afirma que o Irã construiu uma rede de empresas de fachada, intermediários e acadêmicos que têm como função encontrar a informação e os materiais necessários para arsenais nucleares, biológicos e químicos, disse o Guardian.

“Além de bens sensíveis, o Irã continua intensivamente procurando a tecnologia e o conhecimento para aplicações militares de todos os tipos”, diz o relatório, segundo o jornal.

De acordo com o Guardian, o documento detalha as tentativas de Teerã para construir um míssil capaz de atingir Israel e o sul da Europa. Cientistas iranianos estão construindo túneis de vento, tecnologia de navegação e adquirindo aparelhos necessários para mísseis avançados, diz o documento. O texto conclui que a Síria e o Paquistão também compraram tecnologia e materiais químicos para desenvolver programas de foguetes e para enriquecer urânio.

O objetivo do relatório é advertir empresas da União Européia que fazem negócios com as empresas de fachada, afirma o jornal. O relatório não dá nomes de companhias Ocidentais nem de acadêmicos que estariam trabalhando com o Irã, a Coréia do Norte, com a Síria ou com o Paquistão. Na terça-feira, o Irã disse que retomaria a pesquisa e o desenvolvimento de combustível atômico na próxima semana.