Relações entre China e EUA tendem a melhorar após encontro entre Bush e Zemin

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Publicado sexta-feira, 10 de agosto de 2001 as 10:54, por: cdb

Jiang Zemin afirmou que, ao conversar com George W. Bush pelo telefone, no mês passado, “sentiu que ele é um presidente com quem pode fazer negócios”. Os dois ainda não se encontraram pessoalmente.

Zemin, que é, além de presidente, secretário-geral do Partido Comunista e chefe militar da China, mostrou-se otimista quanto ao futuro das relações sino-americanas em uma entrevista concedida em um retiro a 270 km de Pequim.

“Os dois lados desejam um bom relacionamento”, ele disse, menosprezando aqueles que tratam a China como uma ameaça.

“Nós devemos fazer o máximo para encontrarmos um caminho comum”, ele afirmou, quase levantando da cadeira em que estava sentado.

Zemin encontrou, na quarta-feira, o “publisher” do “The New York Times”, Arthur Sulzberger Jr., importantes editores, um colunista e correspondentes do jornal na China para uma entrevista sugerida por diplomatas.

Zemin enfatizou o desejo chinês de ter uma relação mais estável com o novo governo dos EUA, especialmente porque a China vai organizar os Jogos Olímpicos de 2008 e deve realizar algumas mudanças políticas e econômicas.

A entrevista, que durou 85 minutos, aconteceu na ampla residência de férias do governo localizada na cidade litorânea de Beidaihe. Zemin, 75, mostrou-se confiante ao defender as políticas interna e externa da China.

Apesar de pregar a amizade, ele não cedeu em temas de conflito com os EUA, como Taiwan, Tibete ou direitos humanos. Ele sugeriu que os estrangeiros não entenderam as vitórias da China e o porque do país ter preferido adaptar as regras comunistas a uma sociedade em mutação em vez de jogar tudo para o alto.

Zemin deve deixar a liderança do Partido Comunista Chinês em 2002. Seu governo termina em 2003. Ele afirmou que acredita que a próxima geração de líderes do partido vai continuar seguindo o caminho trilhado até aqui: de abertura econômica com centralismo político.

Zemin declarou que não está preocupado com o que alguns descrevem como um “clima anti-China em Washington”. “Em todas as épocas existem pessoas com opiniões diferentes”, disse.

O presidente chinês afirmou que espera que a visita de Bush em outubro amplie ainda mais os laços entre os dois países. “Seria estranho se dois países tão grandes não tivessem discordâncias”.

No final da entrevista, citou um provérbio que resume seu desejo para as relações sino-americanas: “são necessárias duas mãos para as palmas”.