Regime militar ficará dois anos em Guiné-Bissau

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Publicado sexta-feira, 19 de setembro de 2003 as 11:33, por: cdb

O regime militar estabelecido na Guiné-Bissau depois do golpe de Estado que derrubou o presidente Kumba Yala no domingo ficará no poder por pelo menos dois anos, antes que sejam convocadas eleições gerais.

Assim comunicou o líder golpista e chefe da junta militar, general Veressimo Seabra Correia, aos presidentes de Senegal, Abdoulaye Wade; Gana, John Kufuor; e Nigéria, Olusegun Obasanjo, que em representação da Comunidade Econômica dos Estados da África do Oestel (Cedeao) se reuniram em Bissau com os líderes militares.

Wade, Kufuor e Obasanjo tentaram convencer os responsáveis pelo golpe, bem recebido pela maioria da população guineana, de que sua permanência no poder não poderia se prolongar por mais de um ano e de que eles deveriam passar o Governo o mais rápido possível para uma administração civil escolhida democraticamente.

“O problema (da Guiné-Bissau) não é militar, mas político e econômico. Os militares são parte do problema, não a solução”, comentou depois da reunião Obasanjo, que disse que falou à junta militar com a experiência de “um antigo militar” que “há anos governou a Nigéria sob um regime militar”.

Segundo Seabra Correia, o prolangamento de seu mandato por pelo menos por dois anos se deve à necessidade de restabelecimento da autoridade do Estado, do bom funcionamento de todos os órgãos da administração pública, da erradicação da corrupção e do abuso de poder político. No entanto, os militares se comprometeram a formar um governo de transição do qual também participarão civis, tecnocratas e representantes dos principais partidos políticos do país.

Os líderes da Cedeao visitaram o ex-presidente Yala, que na quarta-feira renunciou e que, atualmente, permanece sob prisão domiciliar. Os golpistas deram a Yala a possibilidade de ficar no país ou de optar pelo exílio.