Refugiados esperam fim de conflito no Timor Leste

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Publicado quinta-feira, 1 de junho de 2006 as 10:11, por: cdb

Milhares de pessoas continuam confinadas nos acampamentos de refugiados de Dili à espera da solução para um conflito que paralisou toda a infra-estrutura da capital do Timor Leste, deixando a população nas mãos da ajuda internacional.

Dili amanheceu, nesta quinta-feira, com novos incidentes violentos, como o ocorrido nas imediações do seminário católico de Dom Bosco, onde simpatizantes dos militares que se rebelaram em 28 de abril queimaram uma casa e uma loja, mas não houve vítimas.

Em outras áreas da cidade, os grupos violentos que atuaram nos últimos dias também incendiaram lojas e alguns carros, com o saldo de pelo menos uma morte.

A ação dos grupos violentos, que na quarta-feira queimaram várias bancas no principal mercado local, que estava fechado, não chegou, até agora, ao interior dos campos de refugiados – em geral, sedes e templos católicos –  onde há cerca de 70 mil pessoas desde o início da onda de violência.

Também ocorreu sem incidentes a distribuição de arroz que acontece todos os dias no armazém do Ministério da Agricultura, em frente à sede dos correios, que hoje presenciou uma longa fila de timorenses vigiados de perto por carros blindados do Exército da Austrália. No entanto, no início da manhã, outros jornalistas haviam testemunhado um saque antes da chegada das tropas.

Membros da Igreja Católica, comprometidos com a assistência aos refugiados, alertaram hoje que o fornecimento de alimentos está piorando após o colapso do mercado local, o corte das principais estradas para a região oeste e a fuga dos comerciantes de arroz indonésios e chineses.

– Se daqui a dois dias não chegarem mais provisões dos países doadores e dos grupos humanitários, entraremos em uma fase de crise total – disse o sacerdote timorense Antonio Pinto.

O religioso defende que, para resolver o problema, as forças internacionais devem neutralizar os grupos violentos. Além disso, seria necessária a formação de um plano em comum entre os membros do Governo até as eleições de 2007.

As mudanças no Governo continuaram hoje com a nomeação do ministro das Relações Exteriores, José Ramos Horta, para a pasta da Defesa, e de Alcino Baris como ministro do Interior, como o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, anunciou na televisão timorense.

Baris e Ramos Horta substituem Rogério Lobato e Roque Rodrigues, que foram destituídos em conseqüência da crise que começou em 28 de abril, com a manifestação de 600 militares expulsos do Exército.

A manifestação foi dispersada pelo Exército, que abriu fogo e matou quatro pessoas. Logo após a ação, o comandante Alfredo Reinado, líder rebelde, fugiu para as montanhas com 25 homens armados.

Dias depois, 12 policiais foram assassinados pelo Exército, o maior massacre ocorrido no Timor desde a sangrenta repressão indonésia que ocorreu após o voto a favor da independência, no plebiscito de 1999.

Reinado disse que o protesto era a resposta às promoções incentivadas no Exército por Rodrigues, aliado ao primeiro-ministro Alkatiri que, segundo o líder rebelde, queria o controle militar para aumentar seu poder político perto das eleições de 2007.

Além disso, a revolta de Reinado incentivou um fenômeno até agora novo no país: o confronto violento entre os habitantes do oeste e a minoria do leste que controla o Governo e as Forças Armadas.

O levante também evidenciou os atritos entre o presidente timorense, Xanana Gusmão, o político mais apreciado do país, e Alkatiri, muito impopular devido a vários casos de corrupção e por professar a religião muçulmana – credo minoritário no Timor Leste, onde 90% da população é católica.

Alkatiri declarou na quarta-feira à televisão australiana que não existe um conflito de poder entre ele e Gusmão, embora a credibilidade do primeiro-ministro esteja muito baixa. Segundo o primeiro-ministro timorense, ninguém no Timor duvida que o Governo, o Exército e o Fr