Rebeldes matam jornalista no Iraque e capturam autoridade

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Publicado quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005 as 15:11, por: cdb

Homens armados mataram um jornalista iraquiano que trabalhava para uma rede de TV custeada pelos EUA em Basra (sul) e capturaram uma importante autoridade do Ministério do Interior em Bagdá, na quarta-feira.

Em Basra, a polícia disse que o correspondente Abdul-Hussein Khazal, da TV Alhurra, foi morto em sua casa. A Alhurra é um canal de notícias com sede na Virgínia (EUA) que tenta competir com TVs como a Al Jazeera e a Al Arabiya, controladas por árabes.

O canal disse que um dos filhos de Khazal também foi morto no ataque. O menino tinha três anos.

Em Bagdá, homens armados arrancaram uma autoridade do governo de seu carro. O Ministério do Interior disse que o coronel Riyadh Katei Aliwi trabalhava no departamento de operações.

Milhões de iraquianos desafiaram as ameaças de atentados suicidas e ataques com morteiros para ir às urnas no último dia 30. Mas, nos últimos dias, guerrilheiros contrários ao governo iraquiano apoiado pelos EUA voltaram a agir.

Na terça-feira, um militante suicida detonou uma bomba no meio de um grupo de homens que aguardava para se alistar nas forças de segurança do Iraque. Ao menos 21 pessoas morreram.

No dia anterior, ataques suicidas contra a polícia em Mosul e em Baquba (norte da capital) mataram 27 pessoas.

A autoria de todas essas ações foi reivindicada pela rede Al Qaeda no Iraque, onde é liderada pelo militante jordaniano Abu Musab al-Zarqawi. Os EUA dizem que Zarqawi é seu maior inimigo no país e oferecem 25 milhões por informações que levem à morte ou à captura dele.

Resultados parciais das eleições do final de janeiro mostram que uma aliança formada principalmente por partidos xiitas lidera as apurações, conforme se previa. Uma coalizão de partidos curdos aparece em segundo lugar e um bloco liderado pelo primeiro-ministro interino do país, Iyad Allawi, em terceiro.

A Comissão Eleitoral do Iraque disse que o anúncio dos números finais da eleição, previamente esperado para quinta-feira, será adiado enquanto cerca de 300 urnas suspeitas são reavaliadas. Militantes em Mosul haviam mexido em diversas urnas no dia do pleito.

A aliança xiita, formada com a bênção do clérigo xiita mais importante do Iraque, o aiatolá Ali Al Sistani, diz que exigirá escolher o premiê do próximo governo iraquiano. Os curdos desejam que seu principal candidato, Jalal Talabani, seja presidente do país.

Mas muitos membros da minoria sunita, que dominou o país durante o governo de Saddam Hussein, não participaram das eleições, tanto por causa da violência como por conta de apelos por boicote feitos por vários grupos políticos.

Se os sunitas sentirem que foram excluídos do processo político, há temores de que a insurgência se intensifique.